terça-feira, 31 de maio de 2005
O Sopro do Coração...
O Sopro do Coração
Letra: Sérgio Godinho
Sim, o amor é vão

É certo e sabido
Mas então (Porque não)
Porque sopra ao ouvido
O sopro do coração
Se o amor é vão
Mera dor mero gozo
Sorvedouro caprichoso
No sopro do coração
No sopro do coração
Mas nisto o vento sopra doido
E o que foi do
Corpo no turbilhão
Sopra doido
E o que foi do
Corpo alado
Nas asas do turbilhão
Nisto já nem de ar precisas
Só meras brisas
Raras
Corto em dois limão
Chego o ouvido
Ao frescor
Ao barulho
À acidez do mergulho
No sangue do coração
Pulsar em vão
É bem dele É bem isso
E apesar disso eriça a pele
O sopro do coração
O sopro do coração
Mas nisto o vento sopra doido
E o que foi do
Corpo no turbilhão
Sopra doido
E o que foi do
Corpo alado
Nas asas do turbilhão
Nisto já nem de ar precisas
Só meras brisas
Raras...
Veredicto final.
A Assumida Mente acenou com a cabeça e respondeu: "Precisamente. Eu também não escolho. Tomo as duas*."
Aqui olhámos uma para a outra com caras de desconfiadas...
"Só que eu prefiro limonada ao pequeno-almoço e chocolate quente antes de ir dormir..."
Então, suspirámos de alívio por perceber que, apesar de um ponto em comum, não concordávamos totalmente uma com a outra - isso seria dramático.
Assim sendo, aqui ficam as receitas do chocolate quente e da limonada. Claro que era das receitas que falávamos, pensaram em quê? ;)
Chocolate Quente
Ingredientes:
1 litro de leite
5 colheres de sopa de chocolate em pó
4 colheres de sopa de açúcar ou adoçante
1 colher de café de café solúvel
1 colher de chá de maisena
1 pedaço de canela em pau
1 gema de ovo
Modo de preparação:
Bata tudo no liquidificador e leve ao fogo, mexendo de vez em quando. Deixe ferver. Sirva com ou sem creme chantilly.
Limonada
Ingredientes:
1 limão
1 litro de água
açúcar a gosto
Modo de preparação:
Corte o limão ao meio e esprema bem até sair todo o sumo. Coloque um litro de água numa jarra e junte o sumo do limão. Adoce à vontade, mexa bem, acrescente gelo, e está pronto.
* Bebidas, entenda-se.
segunda-feira, 30 de maio de 2005
Ou...
Bom dia!
Não!
Das duas três:
1. ou sonham mesmo com o fim da União Europeia e aí, haja paciência, é porque não têm noção nenhuma das mais-valias que a Europa comunitária pode proporcionar
2. ou não têm consciência do recuo, dos anos de trabalho deitados fora, que este NÃO significa
3. ou ainda, acham mesmo que o NÃO dos franceses foi um NÃO a artigos pontuais e concretos desta "Constituição", e não um NÃO conjuntural, à política interna francesa!...
Enfim, eu por cá sei que nunca li a Ana Gomes tão irritada como hoje!
Ainda Scholl
Para pôr a tocar na grafonola, seleccionei de olhos fechados e a escolha recaiu em... "Verdi prati"... pela melancolia da melodia, pela pureza do poema, pela comoção na voz de Scholl... julgo que o acaso escolheu bem.
O excerto é do álbum "Ombra mai fù": Haendel's Airs, que Andreas Scholl, acompanhado pela Akademie für Alte Musik Berlin, gravou para a Harmonia Mundi.
Verdi prati
(Ária de Alcina, de Haendel)
Verdi prati, selve amene,

perderete la beltà.
Verdi prati, selve amene,
perderete la beltà.
Vaghi fior, correnti rivi,
la vaghezza, la bellezza
presto in voi si cangerà.
Verdi prati, selve amene,
perderete la beltà.
E cangiato il vago oggetto
all'orror del primo aspetto
tutto in voi ritornerà.
tutto in voi ritornerà.
Verdi prati, selve amene,
perderete la beltà.
perderete la beltà.
domingo, 29 de maio de 2005
Poesia das horas largas (I)

A Noite vem poisando devagar
Sobre a Terra, que inunda de amargura ...
E nem sequer a bênção do luar
A quis tornar divinamente pura ...
Ninguém vem atrás dela a acompanhar
A sua dor que é cheia de tortura ...
E eu oiço a Noite imensa soluçar!
E eu oiço soluçar a Noite escura!
Por que és assim tão escura, assim tão triste?!
É que, talvez, ó Noite, em ti existe
Uma Saudade igual à que eu contenho!
Saudade que eu sei donde me vem ...
Talvez de ti, ó Noite! ... Ou de ninguém! ...
Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!!
Florbela Espanca (1894-1930), in Livro das Mágoas (1919)
sábado, 28 de maio de 2005
Andreas Scholl
Tive oportunidade de trocar algumas impressões sobre a voz e a performance de Andreas Scholl com uma certa pessoa. Nada de novo - como sucede tantas vezes, as nossas opiniões são discordantes. Diz-me a Bixu que Scholl não chega aos calcanhares de um Gérard Lesne ou um Michael Chance. Pois eu cá acho que chega e nem tem de se esforçar muito. E nestas coisas não vale a pena teimar, porque os gostos divergem e como cada voz é uma voz, não há muito por onde divagar.
Para aqueles que, como nós, não podem assistir hoje à noite ao concerto que tem lugar na Casa da Música, fica na grafonola das "Mentes" um excerto da Cantata "Cessate, omai cessate" de Antonio Vivaldi, extraída do álbum "The Voice".
Aposto que um dos encore será "Ombra mai fù"... ;)
Ah ch'infelice sempre
(excerto da Cantata Cessate, omai cessate, de Antonio Vivaldi)

Ah ch'infelice sempreme vuol
Dorilla ingrata
Ah sempre più spietata
M'astringe à lagrimar
Per me non v'è nò
non v'è ristoro
Per me non v'è nò
non v'è più speme
e il fier martoro
e le mie pene
solo la morte
può consolar.
sexta-feira, 27 de maio de 2005
Amor...
quinta-feira, 26 de maio de 2005
Interrogação do dia

terça-feira, 24 de maio de 2005
Na grafonola das "Mentes".
Quem nos conhece sabe que, apesar do tempo escassear para tudo, simplesmente não podemos viver sem momentos de lazer e que para nós, lazer é, as mais das vezes, sinónimo de cultura. Um pouco por todo o lado, vai-se fazendo o mesmo que aqui: os bloggers vão deslindando traços do seu carácter, partilhando gostos e criando afinidades. Expôr as coisas de que gostamos acaba por ser um meio para a criação de pontes com quem comunga dos mesmos gostos e valores que nós.
Por isso mesmo, a partir de hoje acrescentámos mais uma divisória ali à direita, sob a denominação "Na Grafonola das "Mentes", o que significa que, sempre que nos der na realíssima gana, as letras deste blog serão acompanhadas por notas musicais...
Para inaugurar a "grafonola" escolhemos "À Chloris", uma canção francesa composta em 1910 pelo argentino Reynaldo Hahn (1875-1947) com letra de Théophile de Viau (1590-1626), pela voz do mezzo soprano Susan Graham, magnificamente acompanhada ao piano por Roger Vignoles.
Importa aqui confessar que esta lindíssima melodia foi-nos dada a conhecer pela Bixu. Como nunca lhe agradecemos ter-nos despertado a atenção para este magnífico compositor, aqui fica a nossa gratidão pública. Aos que nos lêem, fica a sugestão, na esperança de que possa despertar em todos os mesmos sentimentos que despertou em nós.

S'il est vrai, Chloris, que tu m'aimes,
Mais j'entends, que tu m'aimes bien,
Je ne crois pas que les rois mêmes
Aient un bonheur pareil au mien.
Que la mort serait importune
De venir changer ma fortune
A la félicité des cieux!
Tout ce qu'on dit de l'ambroisie
Ne touche point ma fantaisie
Au prix des grâces de tes yeux.
domingo, 22 de maio de 2005
À português!

... Bem, quanto ao futebol, já que nenhuma equipa conseguiu revelar-se verdadeiramente superior, que ganhe aquela que hoje jogar melhor... quanto a mim, aceitam-se sugestões de boas desculpas para conseguir adiar um prazo!
sábado, 21 de maio de 2005
A nossa noite para comemorar...
Escrevias tu estas palavras e eu... e eu na ignorância de que elas me esperavam."Fazes-me falta..." – pensava, na ânsia de que as minhas ideias chegassem a ti. E quantas vezes chegaram já? Ao longo destes quatro anos, muitas vezes nos cruzámos por entre as linhas dessa teia que alguns apelidam de "telepatia"...
Não sabia eu que me escrevias, mas sentia uma tibieza entranhar-se-me nos ossos. Sentia a noite mais fria do que as demais... e o coração balançava-se-me nas mãos, movido pela angústia...
"Fazes-me falta..." – pensava, sempre que a dor da tua ausência era mais lancinante. E procurava os teus olhos, como que por instinto! Procurava o teu sorriso, o teu cheiro, o brilho dos teus cabelos... e perante o silêncio da resposta, a cada vez que te não encontrava no palpável, procurava-te no invisível e empenhava as minhas forças na tal "teia telepática"...
Frequentemente, deixas-me sem saber o que te dizer, como agora. Sou tão mínima ao pé de ti... tão mínima ao pé da tua perfeição! ... E, simultaneamente, tão completa ao teu lado! Todas as memórias de que falas são apenas parciais se recordadas apenas por mim...
Peço-te apenas que não me agradeças, meu amor. Não me estejas grata pelo prelúdio, porque sou eu quem tem de te agradecer tudo o que se seguiu. Mas não posso nem devo ter a ousadia de querer expressar por palavras o quanto estou em dívida para contigo. As palavras seriam sempre parcas e desajustadas a algo que só pode ser feito com a vida.
Jamais algo que pudesse dizer-te seria sequer aproximadamente tão singelo e precioso como o que escreveste aqui. Perdoa, contudo, a minha audácia e a minha pequenez... nunca soube escrever "cartas de amor"...
Não sei a quem agradecer o cruzamento dos nossos caminhos, o enlace das nossas almas, a ternura dos nossos sentimentos... mas sei que é a ti que quero devotar a minha vida, sob pena de perder o trilho da existência.
Amo-te, meu amor... e na trivialidade deste vocábulo vai contido tudo o que desejaria mas não sei dizer-te, nesta que é a nossa noite para comemorar.
Bem hajam tod@s quant@s que comemoraram connosco esta data (Andreia, Pilantra, Gum, Omlounge, Boo, Rodrigues, M., Mar, ZPL, Tica & Teca e Panasca-Mor). Um abraço especial à Bixu, pelo queridíssimo post, bem como às aNa & Maria e Lemon Tea & Chocolover pelo cuidado, pelas palavras e por saberem fazer-se presentes.
Palavras...
Gostava de conseguir dizer aqui, no segredo deste blog aquilo que me apetece gritar ao Mundo e não posso. Gostava de agradecer-te aqui, em público, todos os passos... a coragem da iniciativa, a luta, a prova e a persistência... as palavras, as divergências, os debates e as insistências... e as viagens, as corridas, a penumbra e a família... gostava de conseguir descrever-te letra a letra, falar da criança que ainda és e da sensatez das tuas atitudes, dessa ousadia-menina, da dureza infinitamente sensível, da bondade persistentemente indecisa... da genialidade humildemente escondida... gostava de conseguir reunir num único parágrafo a nossa vida, os sorrisos que só nós entendemos, as lágrimas que só nós sabemos, os sons escondidos de tantas músicas, as histórias vividas em cada recanto das nossas cidades e as loucuras e as angústias... e as palavras que se dizem só em olhares... e... os laços que acabámos por trocar...
Afogam-se-me as palavras na profundidade dos sentimentos... e à tona apenas consigo segurar por breves instantes um singelo e banal "Amo-te"... quem sabe tu e o Mundo vislumbrem a silhueta desta palavra e através dela divisem uma mera sombra do quanto te queria dizer!
sexta-feira, 20 de maio de 2005
As razões
Fiquei a saber que José Sócrates quer que o departamento das mulheres do PS seja "dócil". As mulheres socialistas vão a votos nos próximos dias 3 e 4 de Junho, para eleger a presidente do Departamento Nacional das Mulheres Socialistas (DNMS). Há duas listas candidatas, uma liderada por Sónia Fertuzinhos (que se recandidata ao cargo) e outra por Maria Manuela Augusto. Ao que parece, esta última é apoiada por Sócrates.
Ora, aqui, permito-me citar Maria António Palla, que teceu estas considerações sobre Sócrates. Palla afirmou que o secretário-geral do PS e Primeiro-Ministro português desvalorizou o trabalho de Fertuzinhos, que tem "o mérito incontestável de ter feito mexer aquele departamento, mas a cabeça altamente misógina de Sócrates não pode suportar isso".
Pois é, pois é. E é preciso lembrar que o DNMS não apoiou nenhum dos candidatos à liderança do PS e Sócrates não gostou... Continuou Palla: "Agora quer um departamento dócil, integrado numa linha que existe dentro do PS e que faz dele uma máquina eleitoral". Mais preocupante foi o que afirmou sobre eventuais pressões que estão a ser exercidas sobre as apoiantes de Fertuzinhos: "há mulheres a quem lhes tem sido transmitida a ideia de que poderão ser prejudicadas se votarem na lista A".
O meu gáudio reside nisto: ler que uma mulher teve a coragem de apelidar Sócrates de ter uma "cabeça altamente misógina" enche-me de orgulho. E isto não porque a afirmação se refira a Sócrates, mas porque se refere a um homem que constituiu um governo quase exclusivamente composto por homens, desconsiderando as mulheres socialistas e, por reflexo, as mulheres portuguesas. Desejo apenas que a candidata vencedora seja capaz de ter a coragem política que Sónia Fertuzinhos e as suas apoiantes demonstraram e continuam a demonstrar.
Depois deste regozijo, segui-se um outro. Fiquei a saber que ontem, um grupo de mulheres cientistas apresentaram a sua associação em Portugal: chamar-se-á Amonet, o nome de uma deusa do Baixo Egipto, geradora do vento do Norte, que soprava sabedoria nas mentes [;)] das elites e dos governantes.
Esta iniciativa será importantíssima para combater a invisibilidade de que as investigadoras científicas padecem no nosso país. Para ilustrar o que digo, reproduzo aqui um excerto com uma declaração da ecóloga Maria Rosa Paiva, catedrática da FCTUNL e uma das fundadoras desta associação: "As mulheres estão sub-representadas nas posições mais avançadas da carreira. A percentagem das que atingem posições de chefia é muito pequena. As mulheres perdem-se pelo caminho. É um desperdício grande de recursos humanos, porque investimos na educação de metade da população e depois ela desaparece, sublima-se".
Consultando a página da associação, fiquei a saber que "em 2003, as comissões de avaliação das licenciaturas de Ambiente e de Química (nomeadas pelo Conselho Nacional de Avaliação do Ensino Superior) não tinham uma única mulher - apesar de, nestes campos, mais de 50 por cento dos docentes e investigadores serem mulheres. Quase todas as restantes comissões de avaliação de licenciaturas de áreas científicas apresentavam distorções inaceitáveis, na sua composição, relativamente a uma justa representatividade de mulheres", e que em Portuga só há duas reitoras, nas universidades de Aveiro (Maria Helena Nazaré) e Aberta (Maria José Ferro Tavares).
A Amonet foi criada por 16 investigadoras, quase todas catedráticas com o intuito de fomentar a participação das mulheres na ciência e tecnologia e aumentar a sua visibilidade, nomeadamente, através da realização de estudos sobre estas questões e a apresentação de propostas de diplomas, ou a alteração de legislação, para se obter igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres. Entre os objectivos da associação contam-se a promoção do debate sobre a situação das mulheres cientistas, a divulgação dos seus direitos, a denúncia de formas de discriminação e o intercâmbio com outras organizações portuguesas e internacionais.
Os estatutos da Amonet prevêm que os homens cientistas possam tornar-se membros agregados, o que demonstra que esta associação não é só feminista, é igualitária.
Agoram digam lá se eu ontem não acordei com razões suficientes para me orgulhar de ser mulher?
quinta-feira, 19 de maio de 2005
Eu hoje acordei assim... ©
quarta-feira, 18 de maio de 2005
Dia Internacional dos Museus
Ora cá está uma belíssima forma de iniciar o dia...

You are Psalms.
Which book of the Bible are you?
brought to you by Quizilla
Curiosamente, o Livro dos Salmos é o Livro da Bíblia que eu mais leio...
terça-feira, 17 de maio de 2005
Tenha um excelente dia: diga não à homofobia!

Fonte: Community Work Training (tradução de Rita P. Silva)
domingo, 15 de maio de 2005
Poema para uma madrugada solitária.
(À memória de António Variações)
Anda pela noite só
um capote errante, ai ai
e uma sombra negra cai, em redor
do homem no cais
das ruas antigas vem
um cantar distante, ai ai
e ninguém das casas sai, por temor
de uns passos no cais
Se eu cair ao mar, quem me salvará
lalalala...
que eu não tenho amigos, quem é que será,
lalalala...
ai ó solidão, que não andas só.
lalalala...
anda lá à vontade, mas de mim tem dó...
cantar, sempre cantou
jamais esteve ausente, ai ai
e uma vela branca vai, por amor
largar pela noite
Se eu cair ao mar, quem me salvará
lalalala...
que eu não tenho amigos, quem é que será,
lalalala...
ai ó solidão, que não andas só.
lalalala...
anda lá à vontade, mas de mim tem dó...
Letra e Música: Pedro Ayres de Magalhães
Extraída do álbum "Os Dias da Madredeus" (1987)

Fotografia de Jorge Santos (2005)
sábado, 14 de maio de 2005
Meu amor...
Excelentíssimas Senhoras e Senhores, o Assumidamente tem a honra de apresentar...
1 - Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Concordo com a tua escolha, mas poderia ser, também, um poema...qualquer soneto ("da separação") de 14 versos é perfeito. ;)
2 - Já alguma vez ficaste apanhadinho por uma personagem de ficção?
Já me identifiquei com muitas personagens, principalmente com Arturo, de "A ilha de Arturo" (Elsa Morante).
3 - Qual foi o último livro que compraste?
Para além dos livros "técnicos", e das prendas de aniversário e afins, penso que comprei o diário de José Gomes Ferreira.
4 - Qual o último livro que leste?
A poesia é obrigatória na minha dieta mental. Tenho lido livros sobre a maçonaria e os templários...
5 - Que livros estás a ler?
"O enigma dos Manuscritos do Mar Morto", poesia e a Bílblia (de forma aleatória).
6 - Que livros levarias para uma ilha deserta?
A Bíblia, Fernando Pessoa, e o "Livro em Branco".
7 - A quem vais passar este testemunho?
Vou enviá-lo à minha querida Assumida.
... também na Blogosfera: Relatos de Um Bixu!
Arre! Demorou, mas conseguimos! Finalmente, após muita insistência, a Bixu criou um blog!
Let's make the toast? Cin Cin! Bem vinda, Bixu! Que a tua vida blogosférica seja longa, farta e profícua!

Arrebatamento.

quinta-feira, 12 de maio de 2005
Sopram ventos de (boa) mudança na Jurisprudência Portuguesa
A argumentação desenvolvida no acórdão, que só deverá ser tornado público amanhã, deverá ater-se ao facto de este crime estabelecer uma "idade de consentimento" mais elevada para os actos sexuais entre pessoas do mesmo sexo que a que vigora para sexos diferentes.De facto, o que o artigo 175.º do CP estipula é que todos os actos sexuais entre um adulto e um adolescente dos 14 aos 16 anos são crime desde que os dois sejam do mesmo sexo, enquanto que os mesmos actos sexuais entre um adulto e um adolescente da dita idade mas de sexo diferente só são crime se houver "abuso da inexperiência" (situação prevista no artigo 174.º, "actos sexuais com adolescentes") ou violência (o que entra na categoria de violação - artigo 164.º). Na prática, isto significa que a idade estabelecida pelo ordenamento jurídico português para o livre consentimento do acto sexual é de 16 anos para homossexuais e de 14 anos para heterossexuais.
Esta decisão do TC, cuja relatora foi a juíza Maria João Antunes, é a resposta a um recurso do cidadão inglês Michael Burrige. Condenado pelo Tribunal de Cascais do cometimento do crime descrito no artigo 175.º, este suscitou a inconstitucionalidade do mesmo. Como o fez, num recurso que ontem mesmo deu entrada no TC (e que foi distribuído ao Conselheiro Vítor Gomes), um arguido do caso de abuso sexual de menores dos Açores ("caso Farfalha").
Três decisões do TC sobre a inconstitucionalidade do crime implicarão a sua revisão e previsível ablação do Código. Como foi sempre defendido pelas associações de defesa dos direitos dos homossexuais portugueses .
Sérgio Vitorino, da associação Panteras Rosa/Frente de Combate à Homofobia, congratula-se por "menos esta discriminação no nosso mapa legislativo", embora considere que "tinha de acontecer. O próprio Parlamento Europeu já se declarara contra esse tipo de diferenças em relação à idade do consentimento." Mas, frisa o mesmo activista, o entendimento da Justiça portuguesa nesta matéria é contraditório. "Em 2003, o Supremo Tribunal reiterou a diferença na idade do consentimento, considerando os actos homossexuais 'um uso anormal' do sexo". Num acórdão, releve-se, sobre o mesmíssimo caso de Michael Burrige.
Desde Abril de 2004 que a Constituição inclui a "orientação sexual" nos motivos expressos da não discriminação. Determinação que, inclusa no Tratado de Amesterdão, vinculava Portugal desde 2000. (por Fernanda Câncio e João Pedro Fonseca)
Cronologia de uma discriminação legislativa
Até 1982, o Código Penal (CP) punia com "medidas de segurança "a "prática habitual de vícios contra a natureza". Os vícios em causa eram qualificados como "práticas que agredissem o princípio básico da moral sexual" e "o primado da sexualidade genital e da reprodução".
Em 1982, por respeito à "reserva da vida íntima", contitucionalmente consagrada seis anos antes, a revisão do CP remete " a homossexualidade entre adultos, livremente exercida e em recato" para os actos não puníveis. Mas surge um novo crime, "homossexualidade com menores", que ameaça com prisão até três anos "quem, sendo maior, desencaminhar menor de 16 para a prática de acto contrário ao pudor, consigo ou com outrém do mesmo sexo".
Em 1995, nova revisão do CP, nova alteração do artigo 175.º agora intitula-se "actos homossexuais com menores", as expressões "desencaminhar" e "actos contrários ao pudor" desaparecem e o crime passa a ter a moldura penal que hoje o caracteriza: dois anos. Na revisão seguinte, em 1998, a redacção do artigo mantém-se, é o título que sofre alterações: os "menores" passam a "adolescentes". É a versão ainda em vigor.
A previsível revogação do artigo 175.º do CP , que corresponderá ao final da criminalização da homossexualidade em Portugal, chegou a ser proposta pela ministra Maria Celeste Cardona. Aprovada em Conselho de Ministros (CM) em Junho de 2004, não foi ao parlamento devido à demissão do governo. De novo proposta pelo ministro da Justiça Aguiar-Branco e aprovada em CM, chega a dar entrada no parlamento. Mas este é dissolvido antes da discussão.
Fonte: Diário de Notícias
A ILGA Portugal já emitiu um comunicado sobre o assunto, que tomo a liberdade de transcrever aqui.
A Associação ILGA Portugal sempre defendeu a revogação do art. 175.º do Código Penal pelo seu carácter claramente discriminatório.
Para que se perceba a inconstitucionalidade do referido artigo cabe-nos explicar o que está de facto no Código Penal (revisto em 1998):
- é o artigo 172.º que penaliza o abuso sexual de crianças (menores de catorze anos) não fazendo qualquer referência à orientação sexual;
- o art. 174.º penaliza "actos sexuais com adolescentes" entre os 14 e os 16 anos, mas apenas caso haja "abuso da inexperiência" da vítima;
- esta ressalva já não está incluída no art. 175.º que penaliza todos os "actos homossexuais com adolescentes" entre os 14 e os 16 anos, mesmo que consensuais;
- as penas previstas para os artigos 174.º e 175.º são as mesmas.
O que está em causa não é pois o abuso de crianças, nem o abuso de adolescentes sem o seu consentimento, que é inequivocamente punido, de igual forma, e com toda a correcção, em todos os casos. A diferença resume-se apenas a situações em que há consentimento das e dos adolescentes: se as relações forem heterossexuais (porque a lei parece pressupor que "actos sexuais" e "actos heterossexuais" são sinónimos), esse consentimento pode ser consciente; se forem homossexuais, a lei define que esse consentimento é necessariamente inconsciente.
Esta diferença na idade do consentimento faz com que o art. 175.º represente actualmente, tal como o Tribunal Constitucional determinou agora, uma violação do art. 13.º da nossa Constituição. (Ver notas.)
Por atentar contra o direito à auto-determinação sexual, qualquer abuso sexual é um crime que deve ser claramente punido por lei, independentemente da orientação sexual do agressor e independentemente do facto de agressor e vítima serem do mesmo sexo ou de sexos diferentes. E, precisamente, porque o direito à auto-determinação sexual é inalienável, a idade de consentimento deve também ser independente da orientação sexual. Defender o direito à auto-determinação sexual significa, por isso, condenar o abuso sexual e condenar também a discriminação patente no art. 175.º.
Louvamos portanto a lucidez do acórdão do Tribunal Constitucional, que veio reforçar a reivindicação política da Associação ILGA Portugal de que a lei deve ser igual para tod@s, como expresso na nossa Constituição.
Apelamos ao Governo e à Assembleia da República que tenham em consideração esta decisão e tomem medidas adequadas para a revogação célere do art. 175.º do Código Penal.
Lisboa, 12 de Maio de 2005
Pel’A Direcção e Grupo de Intervenção Política da Associação ILGA Portugal
(Prof. Doutor Manuel Cabral Morais, Presidente da Direcção da Associação ILGA Portugal)
Tlm.: 969 367 005
Notas
-O Parlamento Europeu, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos e o Conselho da Europa já recomendaram inequivocamente a Portugal a abolição desta diferença que viola ainda a Convenção Europeia dos Direitos Humanos. Aliás, os próprios países que recentemente aderiram à UE tiveram que alterar os respectivos Códigos Penais nesse sentido.
-Em 2003, o Supremo Tribunal de Justiça redigiu um acórdão que defende a discriminação inerente ao art. 175.º, acórdão este que considerámos insultuoso e discriminatório. (comunicado)
-Em 2004, os dois últimos Governos de coligação PSD/PP chegaram a aprovar em Conselho de Ministros (24/05 e 28/10) um projecto de revisão do Código Penal que propunha precisamente a revogação do art. 175.º, tendo chegado a dar entrada na Assembleia da República, entretanto dissolvida.
-Em 2005, o Tribunal de Ponta Delgada defendeu a inconstitucionalidade do art. 175.º, demonstrando que há juízes conscientes de que a lei deve ser igual para tod@s como expresso na nossa Constituição.
Pessoalmente, estou muito feliz com a prolacção deste acórdão. Também já tive oportunidade de expressar a minha discordância com este artigo discriminatório do Código Penal e é sempre bom saber que, mesmo que lentamente, os juízes portugueses vão demonstrando sensibilidade para estas questões gritantes e ousam romper com o passado. São momentos como estes que trazem realização aos que fazem parte da "máquina da Justiça".
terça-feira, 10 de maio de 2005
À volta dos livros...*

Indubitavelmente o "Livro do Desassossego"... porque do desassossego que cada um daqueles fragmentos provoca poderiam reescrever-se todos os livros... todas as histórias e mesmo, porque não, toda a Humanidade!...
2 - Já alguma vez ficaste apanhadinho por uma personagem de ficção?
Se o livro for bom, é inevitável! Como seria possível não me apaixonar pela candura de Anne Frank, pela sensatez da "Mãe" do Gorki, pela sede de descoberta de Sofia criada por Jostein Gaarder, pela ousadia de Eliza Sommers, "Filha da Fortuna", pela lucidez da personagem principal do "Ensaio sobre a Cegueira" (tinha nome, na verdade?), pela coragem para o amor da Francesca nas "Pontes de Madison County"... enfim, como digo ali em cima, no sub-título do nosso blog, sou assumidamente apaixonada e apaixonável, por isso não é difícil apaixonar-me por cada novo personagem!






Querem mesmo saber?!!!!... Bem, num só dia posso confessar-vos que comprei uns quatro livros jurídicos que não interessam a ninguém e... tcham, tcham, tcham, tcham: "O Catecismo da Igreja Católica" (estava farta de andar sempre a pedir o da minha Mente emprestado) e "A Papisa Joana" de Donna Woolfolk Cross... vá amigos, trucidem-me lá!!!4 - Qual o último livro que leste?


Mais uma vez excluindo os de Direito, completinho e sem parar foi o "Código da Vinci", entretanto tentei ler o "Queimada Viva", mas desisti a meio... too much hard to read for pleasure!
5 - Que livros estás a ler?

Tirando os de direito (já sabiam, não é, não valia a pena repetir, mas é só para salientar que para mim livro que é livro não é livro de Direito... livro de Direito é martelo... os outros, os que dão prazer e que deixam viajar é que são livros), estou a ler o "Equador" do excelente escritor Miguel Sousa Tavares... Estou apanhadinha pelo Luís Bernardo e as suas aventuras!
6 - Que livros levarias para uma ilha deserta?
Para além dos incontornáveis "Livro do Desassossego" e "Bíblia", não levaria nenhum outro livro que já tivesse lido antes. A vida é demasiadamente curta para todos os livros que ainda me faltam ler, por isso não repetiria nada. Levaria toda a Virgínia Woolf que ainda não li, todo o Lobo Antunes, todos os clássicos ingleses, de que li pouquíssimo ainda... toda a Agatha Christie que me falta ler e não é muita, mas seriam sempre horas muito bem passadas, o que me resta do Dostoivesky e... sei lá... acho que ia a uma livraria e pegava em tudo o que ainda não conhecesse! E não, não queria saber de livros sobre como sair de uma ilha deserta - se lá tivesse a melhor companhia do Mundo e muitos livros com que ocupar as horas mortas, acho que não ia mesmo querer sair!
7 - A quem vais passar este testemunho?
À minha Mente, para que mais uma vez me surpreenda,
à Manchinha para aprender com uma "expert" na matéria,
à minha querida Bixu, que apesar de não ter blog, não se livra de nos desvendar os seus mistérios literários!
*... porque nunca digo que não a um desafio!
segunda-feira, 9 de maio de 2005
Vaquinha!
Então não é que, de acordo com o referido jornal, o jovem aqui da foto é "(...) o jogador menos bem pago dos habitualmente titulares (...)" no Manchester United?
Confrontado com esta terrível injustiça, no fundo, com este verdadeiro atentado à dignidade humana, o clube de futebol promete vir a celebrar um novo contrato com o jogador e pagar-lhe, pelo menos, 15 mil contos semanais, o que apesar de continuar a não ser nada comparado com os 30 mil contos por semana que o colega de Cristiano Ronaldo, Roy Keane, aufere, sempre dava para, pelo menos, cobrir as despesas de deslocação.

Unamo-nos nesta luta de revolta!...
Revolta contra o atentado que são os números do futebol, quando há crianças a passar fome, pessoas a viver na rua e tanta pobreza por esse Mundo fora... ups, desculpem, acho que isto já não era para dizer!
sábado, 7 de maio de 2005
Só quem não anda por lá...

Na verdade, quem por lá anda sabe perfeitamente que esta medida, assim, sem mais, só vai significar que as sentenças se atrasem ainda mais e a Justiça demore ainda mais a ser aplicada!
É triste ver um Governo que ainda tem tanto tempo para governar decida tomar medidas de "cosmética", como esta e não decida antes lançar-se no trabalho (hercúleo, é verdade, mas necessário) de reorganizar todo o sistema judicial português!
Com meias medidas nunca mais lá chegamos!
sexta-feira, 6 de maio de 2005
Mais uma noite.
Águas e pedras do rioMeu sono vazio
Não vão acordar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar
Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar
Águas do rio correndo
Poentes morrendo
P'ras bandas do mar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar
Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar
Balada de Outono, José Afonso (1929-1987)
quinta-feira, 5 de maio de 2005
How gay is your blog?
O Assumidamente é um blog «amazingly gay»...

... e nós a pensarmos que eramos lésbicas!...
quarta-feira, 4 de maio de 2005
O Óbvio
a) conhecendo o passado do novo Papa a sua eleição me deixou apreensiva;
b) critico as afirmações infelizes que algumas pessoas dentro da hierarquia da Igreja fazem sobre a homossexualidade ou sobre qualquer outra coisa, quando tais afirmações vão contra os princípios mais basilares da própria Igreja;
c) considero lamentável o que está a suceder actualmente em Timor;
d) não nego que, ao longo da História foram vários os erros cometidos por muitos dos homens com poderes dentro da hierarquia da Igreja;
numa palavra
é óbvio que, enquanto defensora incondicional da dignidade humana, critico veementemente todas as manifestações de desrespeito por essa dignidade, venham elas de onde vierem.
Assente este ponto, ultrapassadas assim as questões humanas, falemos de religião...
... Ou talvez não...
Apetecia-me dizer aqui que, quando me digo "católica", estou pura e simplesmente a afirmar a minha religião. Apetecia-me salientar que ser católica não é só acreditar em Deus ou em Cristo. Que se, pela fé, sou cristã pelo modo como vivo essa fé sou católica.
Apetecia-me discursar aqui sobre o que é afinal a religião. Recorrer ao étimo para lembrar que ser católica é ligarmo-nos a Deus, comunicarmos com Ele através de hábitos e rituais católicos. E, por fim, explicar que, sendo eu católica, me sinto mais próxima de Deus praticando esses rituais, comunicando com Ele desse modo*, tão só e simplesmente isso.
Apetecia-me, em jeito de alegações finais, demonstrar como, durante todo o meu discurso não falei uma única vez de política, nem de poder, nem de tricas entre seres humanos, porque simplesmente a política, o poder e as tricas são totalmente alheios à religião.
... Mas talvez não... talvez não diga nada... talvez não valha a pena... há ideias que já nasceram feitas e assim hão-de morrer, tão empreendedoramente fascinadas com a própria ideia que têm de si que não conseguem desconcentrar-se, por breves momentos que sejam, de si mesmas e compreender aquilo que é, afinal, tão óbvio!
*Sim, Pilantra, tal e qual como tu, os cravos e o 25 de Abril!

| Marriage is love. | |||||











