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quarta-feira, 10 de junho de 2009

«Se Portugal fosse um país a sério» 

O título deste post é plagiado da crónica que José Pacheco Pereira publicou no Público de 27 de Maio de 2009. Resolvi empregá-lo não para falar de politiquices, como era o caso daquela crónica, mas para falar de coisas que nos enchem o peito e nos fazem sentir vivos.
Já foi há uma data de tempo (10 dias, mais precisamente), mas eu achei que o assunto se adequava mais ao dia de hoje, o tão proclamado dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, ou seja, supostamente aquele dia em que, como disse António Barreto hoje no seu bastante aclamado discurso, se celebram todos os portugueses, onde quer que eles estejam.
Falo da declaração que Barack Obama fez no dia 1 deste mês, proclamando o mês de Junho de 2009, em que se comemoram 40 anos sobre os acontecimentos de Stonewall (se não sabe o que é, shame on you!), o mês do orgulho LGBT. Para os que continuam com pruridos em relação à palavra "orgulho" é uma bela estocada (Barack, I love you more and more each day!). E para os governantes portugueses - ou melhor, para todos os portugueses - é uma bela lição.

Como disse Pacheco Pereira, «se Portugal fosse um país a sério» poderíamos muito bem estar a festejar o mesmo. Isto porque nem sempre Portugal foi o último da lista a fazer as coisas. Já que estamos no dia da exaltação do sentimento patriótico (o mais estúpido e o mais nobre, que há quem o tenha de todas as maneiras e feitios), então recordemos que, apesar de esclavagistas e colonialistas como poucos na história, também fomos dos primeiros a dar cartas na defesa dos Direitos Humanos em matérias tão fundamentais como a abolição da escravatura, a abolição da pena de morte e a implementação da escolaridade mínima obrigatória, por exemplo.
Contudo, não obstante este espírito pioneiro em certas coisas, continuamos a permitir que o tempo passe sem que nada (ou muito pouco) mude na realidade dos LGBT em Portugal. Para quando a formação cívica e a educação sexual que podem desempenhar um papel importantíssimo na erradicação da homofobia? Para quando o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo? Para quando a adopção por casais de pessoas do mesmo sexo? Para quando o acesso à procriação medicamente assistida por mulheres solteiras ou casais de lésbicas? Para quando uma verdadeira consagração do direito à identidade de género e consequentes direitos tão elementares como a mudar o nome quando se muda de género?

Não sabemos. Sabemos apenas que «se Portugal fosse um país a sério» pelo menos alguns desses passos já estariam dados. Sabemos, pelo menos, que há alguns países que têm à frente dos seus destinos pessoas a sério, como é o caso dos Estados Unidos, actualmente. Pessoas a sério que não desperdiçam oportunidades de consertarem os erros do passado, os seus e os de tantos outros, rumo à felicidade de todos os seus cidadãos. Por isso, é imperioso ler o texto que se segue (comovente de tão verdadeiro) e para ficar a perceber como poderia ser se... «Portugal fosse um país a sério».


THE WHITE HOUSE
Office of the Press Secretary

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For Immediate Release - June 1, 2009

LESBIAN, GAY, BISEXUAL, AND TRANSGENDER PRIDE MONTH, 2009
- - - - - - -
BY THE PRESIDENT OF THE UNITED STATES OF AMERICA
A PROCLAMATION

Forty years ago, patrons and supporters of the Stonewall Inn in New York City resisted police harassment that had become all too common for members of the lesbian, gay, bisexual, and transgender (LGBT) community. Out of this resistance, the LGBT rights movement in America was born. During LGBT Pride Month, we commemorate the events of June 1969 and commit to achieving equal justice under law for LGBT Americans.

LGBT Americans have made, and continue to make, great and lasting contributions that continue to strengthen the fabric of American society. There are many well-respected LGBT leaders in all professional fields, including the arts and business communities. LGBT Americans also mobilized the Nation to respond to the domestic HIV/AIDS epidemic and have played a vital role in broadening this country's response to the HIV pandemic.

Due in no small part to the determination and dedication of the LGBT rights movement, more LGBT Americans are living their lives openly today than ever before. I am proud to be the first President to appoint openly LGBT candidates to Senate-confirmed positions in the first 100 days of an Administration. These individuals embody the best qualities we seek in public servants, and across my Administration -- in both the White House and the Federal agencies -- openly LGBT employees are doing their jobs with distinction and professionalism.

The LGBT rights movement has achieved great progress, but there is more work to be done. LGBT youth should feel safe to learn without the fear of harassment, and LGBT families and seniors should be allowed to live their lives with dignity and respect.

My Administration has partnered with the LGBT community to advance a wide range of initiatives. At the international level, I have joined efforts at the United Nations to decriminalize homosexuality around the world. Here at home, I continue to support measures to bring the full spectrum of equal rights to LGBT Americans. These measures include enhancing hate crimes laws, supporting civil unions and Federal rights for LGBT couples, outlawing discrimination in the workplace, ensuring adoption rights, and ending the existing "Don't Ask, Don't Tell" policy in a way that strengthens our Armed Forces and our national security. We must also commit ourselves to fighting the HIV/AIDS epidemic by both reducing the number of HIV infections and providing care and support services to people living with HIV/AIDS across the United States.

These issues affect not only the LGBT community, but also our entire Nation. As long as the promise of equality for all remains unfulfilled, all Americans are affected. If we can work together to advance the principles upon which our Nation was founded, every American will benefit. During LGBT Pride Month, I call upon the LGBT community, the Congress, and the American people to work together to promote equal rights for all, regardless of sexual orientation or gender identity.

NOW, THEREFORE, I, BARACK OBAMA, President of the United States of America, by virtue of the authority vested in me by the Constitution and laws of the United States, do hereby proclaim June 2009 as Lesbian, Gay, Bisexual, and Transgender Pride Month. I call upon the people of the United States to turn back discrimination and prejudice everywhere it exists.

IN WITNESS WHEREOF, I have hereunto set my hand this first day of June, in the year of our Lord two thousand nine, and of the Independence of the United States of America the two hundred and thirty-third.

BARACK OBAMA

Fonte: The White House - Press Office
Nota: o negrito é meu.



Mensagem absolutamente pessoal e intransmissível: Primas lindas do meu coração, haveria lá mês melhor para visitar os States? Memorável, caramba.

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