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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O horror da estupidez 

É um facto: as crónicas com que Mário Crespo nos vem presenteando no JN têm revelado um apurar de algo que oscila entre a ignorância e a leviandade, a ofensa rasteira e a estupidez, a pobreza intelectual e o desejo premente de ser visto como modelo por todos os indivíduos que tenham como lema de vida ser causa de infelicidade para outros.
Paradoxal é o facto de este sujeito continuar a dizer o que diz e a escrever o que escreve sem sofrer consequências por isso. Pela minha parte, votei-o à mais completa indiferença (aliás, li a crónica desta semana apenas porque de outro modo não compreenderia a que se referia este post do Jugular, caso contrário, não o faria). Assim sendo, não vejo os seus programas de televisão, não leio o que escreve, não lhe dou a mínima importância.
Mário Crespo integra, em conjunto com todos os indivíduos que se dedicam a comentar online as notícias dos jornais portugueses, uma nova espécie que tem vindo a florescer no nosso país, composta por seres que de cada vez que abrem a boca conseguem a proeza de exibir a mais lastimável das ignorâncias. Ainda por cima, daquelas ignorâncias redutoras, capazes de produzir pérolas como esta: «[sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a eutanásia] Duas propostas que em comum têm a ausência de vida. A união desejada por Sócrates, por muitas voltas que se lhe dê, é biologicamente estéril. A eutanásia preconizada por Almeida Santos é uma proposta de morte».
O grande argumento de Crespo é este: o casamento é a única instituição que, na sociedade, protege a procriação e, portanto, fazendo jus à sua (de Crespo) faceta simplista, Crespo limita o casamento a isso mesmo, à função proteccionista da reprodução, o que o ilumina para escrever belezas destas: «Um sombrio universo em que se destrói a identidade específica do único mecanismo na sociedade organizada que protege a procriação, e se institui a legalidade da destruição da vida. O resultado das duas dinâmicas, um "casamento" nunca reprodutivo e o facilitismo da morte-na-hora, é o fim absoluto que começa por negar a possibilidade de existência e acaba recusando a continuação da existência».
Escusado será dizer que o jornalista se excede, tira conclusões despropositadas, subverte o cerne das questões, lança confusão entre as duas figuras, procura disseminar uma opinião bacoca, baseada em preconceitos, puritanismo, falsos valores e falsa moralidade. Por isso mesmo é que, como já disse acima, Crespo exibe no que diz e escreve, em todo o seu esplendor, a mais confrangedora ignorância. E essa exibição tem tanto de evidente como de lamentável. No fundo, Crespo e outros quejandos metem dó, essa é que é essa. Comiseração e pena é tudo quanto me merecem.

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