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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A igualdade ou nada! 

Atendendo ao tema do Prós & Contras da passada segunda-feira, dedicado ao debate sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, eu lá fiz o esforço de ver o programa. E em boa hora o fiz, diga-se. Parece-me bastante dizer que foi indubitavelmente elucidativo sobre a sobriedade dos que defendem a igualdade, a liberdade e a democracia e sobre o desespero dos que tentam a todo o custo manter o preconceito, a discriminação, a homofobia social e jurídica.
Do lado dos que estavam a favor não há um único reparo a fazer às intervenções, aos tons, às posturas. Do lado dos que estavam contra muito poderia ser dito sobre o modo leviano como tentaram desesperadamente comparar a homossexualidade a tudo quanto fosse negativo (da poligamia ao incesto), como disseram que a Lei, em Portugal, não discrimina as pessoas em função da sua orientação sexual, como pretenderam passar a ideia absolutamente inaceitável de que o casamento é privilégio dos heterossexuais porque todas as outras formas de afecto e de comunhão de vida lhe são inferiores à que existe entre uma mulher e um homem.
Foi absolutamente vergonhosa a desorientação dos diversos intervenientes do contra, que procuraram a todo o custo desviar a questão, essencialmente jurídica e social, para a religião, para a moral e para a já mais do que gasta fita da "família" e da "prócriação" (isso são consequências do casamento, senhores, não são pressuposto, irra!). Vergonhosa (mas porque evidenciou uma tremenda ignorância) foi também a tentativa de argumentarem a pretensa diferença entre as relações hetero e homossexuais para justificarem a discriminação, subvertendo inteiramente aquilo em que consiste o princípio da igualdade.
Estão, por isso, de parabéns pela coragem e pela paciência com que mantiveram o sangre frio perante as inúmeras enormidades proferidas ao longo do programa Isabel Moreira e Miguel Vale de Almeida e, ainda, Rui Tavares, Fernanda Câncio, Carlos Pamplona Corte-Real, Daniel Oliveira e Paulo Pamplona Corte-Real. Desta vez, até Fátima Campos Ferreira tem o meu agradecimento, porque esteve bem durante todo o programa e foi até capaz de, em pequenos pormenores, dar a entender que estava mais sensível aos argumentos a favor do que aos não-argumentos contra.
Particularmente importantes pareceram-me as intervenções do Miguel Vale de Almeida. A primeira porque abordou a questão fulcral da discriminação dos homossexuais ao longo da história. A última porque sintetizou em que ponto da discussão acerca da temática do casamento é que nos encontramos presentemente e porque insistiu na necessidade de consagrar uma igualdade plena que permita o acesso a uma cidadania plena e não uma cidadania diferente que apenas serviria para aumentar ainda mais a discriminação.
O debate terminou com uma chave-de-ouro, que também ficamos a dever ao Miguel e que devemos ter sempre presente dentro de nós, principalmente quando ouvirmos idiotices do género das que se ouviram durante o programa: «a igualdade ou nada». Porque só isso é que é justo.

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