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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Nem tudo foi mau 

Estava aqui a pensar com o meu fecho éclair* que, apesar da crise e tal e tal, da morte do Alçada Baptista, do Harold Pinter e do Samuel Huntington (autor de um dos livros mais fundamentais que já li, «Choque de Civilizações»), da vida do João Pedro Pais e do José Sócrates (mas será que os gajos nem uma porra de uma gripe apanham?), das peneiras do Miguel Veloso, dos tiques da Paula Moura Pinheiro, da candidatura da Laurinda Alves a deputada europeia pelo M.E.P. (um movimento que diz que não é um partido mas que afinal até é e que diz que não tem orientação política mas que afinal está algures entre o centro direita e a extrema-direita) e do novo álbum do Luís-argh!-Represas, há um aspecto positivo a realçar no ano de 2008: o Millenium substituiu o Jorge-argh!-Gabriel pela Bárbara Guimarães na publicidade.

* Esta menção parece-me um bom motivo para recordar «Poema do Fecho Éclair», de António Gedeão:
Filipe II tinha um colar de oiro
tinha um colar de oiro com pedras
rubis.
Cingia a cintura com cinto de coiro,
com fivela de oiro,
olho de perdiz.

Comia num prato
de prata lavrada
girafa trufada,
rissóis de serpente.

O copo era um gomo
que em flor desabrocha,
de cristal de rocha
do mais transparente.

Andava nas salas
forradas de Arrás,
com panos por cima,
pela frente e por trás.

Tapetes flamengos,
combates de galos,
alões e podengos,
falcões e cavalos.

Dormia na cama
de prata maciça
com dossel de lhama
de franja roliça.

Na mesa do canto
vermelho damasco
a tíbia de um santo
guardada num frasco.

Foi dono da terra,
foi senhor do mundo,
nada lhe faltava,
Filipe Segundo.

Tinha oiro e prata,
pedras nunca vistas,
safira, topázios,
rubis, ametistas.

Tinha tudo, tudo
sem peso nem conta,
bragas de veludo,
peliças de lontra.

Um homem tão grande
tem tudo o que quer.
O que ele não tinha
era um fecho éclair.

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