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terça-feira, 4 de setembro de 2007

Um silêncio que não mata, mas mói 

É lançado hoje pela Editorial Presença o livro «Companheira Silenciosa», da autoria de Dina Matos McGreevey, ex-mulher do ex-governador de Nova Jersey James McGreevey, o primeiro (governador) da história dos Estados Unidos a assumir publicamente a sua homossexualidade. Em 300 páginas (na edição portuguesa), Dina relata o que foi para ela viver um casamento com alguém que negava a sua orientação sexual e impunha aos outros um modelo que não correspondencia à realidade.
São inúmeros os homossexuais que durante anos a fio negam perante si mesmos a sua orientação sexual, dando origem a processos de autêntico recalcamento interior dessa dimensão da sua pessoa. Frequentemente, alguns desses homossexuais, na ânsia de ocultarem socialmente o facto, optam por casar com pessoas do sexo oposto e tentam construir uma fachada, com o imenso sacrifício, da sua parte, de aniquilarem quem são e, da parte do companheiro do sexo oposto, de viver uma vida de falsidade e mentira.
O importante, a propósito do lançamento deste livro, não é discutir o facto de algumas pessoas homossexuais terem este descrito comportamento, mas sim averiguar as razões por que o fazem, razões essas que são, a esmagadora maioria das vezes, de ordem externa (social, cultural, religiosa, etc.).
Noutros casos, a homofobia internalizada acaba por levar alguns homossexuais não só à negação da sua orientação sexual, como também a uma autêntica perseguição da homossexualidade, adoptando comportamentos reveladores de ódio e repulsa. Veja-se, a título de exemplo, o recente caso do ex-senador Larry Craig, que se demitiu em consequência do escândalo que veio a lume por, no dia 11 de Junho passado, ter mantido com um polícia descaracterizado «actos de cariz sexual» num aeroporto (que, sem surpresas, nega veementemente). Até aqui, nada de mais, não fossem as leis perseguidoras e moralistas do país, que alguns fizeram questão de implantar. Sucede que o caso adquire contornos mais sórdidos se recordarmos que os rumores acerca da homossexualidade do ex-senador começaram em 1982. Craig entendeu por bem, a fim de que dúvidas não restassem sobre a sua heterossexualidade, encetar uma firme perseguição odiosa a todos os homossexuais. Craig foi senador durante dezasseis anos e destacou-se numa obstinada campanha contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, contra a aprovação de legislação anti-discriminatória dos homossexuais e contra a presença de homossexuais nas forças armadas (leia-se este post de Eduardo Pitta). Craig foi o segundo político republicano estado-uniense a ser protagonista em situações deste teor, depois de Mark Foley (em Setembro de 2006) e antes de Bob Allen (em Julho de 2007).
A sucessão destes casos poderia ser um bom ponto de partida para, pelo menos, uma reflexão séria sobre os efeitos perniciosos que a condenação moral e social da homossexualidade pode ter na vida dos indivíduos, quer enquanto pessoas, quer enquanto membros de células familiares, como profissionais e como cidadãos. A homofobiazinha vai-se enraizando e vai minando tudo e, por vezes, os motores dessa mesma homofobia são os homossexuais que são forçados a reprimirem essa sua vertente. Por estes motivos e por tantos outros que me abstenho, por falta de tempo, a enumerar aqui, é urgente pôr cobro a este processo de auto-destruição de tantos seres-humanos.

Para os interessados, aqui fica a sinopse do livro.

Titulo: «Companheira Silenciosa»
Editora: Editorial Presença
Tema: Ensaio
Colecção: Novo Milénio
N.º na Colecção: 6
Preço com I.V.A.: €20,00
ISBN: 9789722338240
N.º de Páginas: 300
Data de lançamento: 04.09.2007

Sinopse: Dina Matos, uma americana, filha de portugueses, conheceu Jim McGreevey quando este ainda era o Mayor de Woodbridge, no estado de Nova Jérsia. Dina sentiu-se imediatamente fascinada pela sua personalidade carismática e cativante, e próxima dele pela paixão que ambos nutriam pela luta política. Ele era um potencial candidato do Partido Democrata às presidenciais de 2008 e ela, bonita, inteligente, fora talhada para o apoiar na campanha. Mas em 12 de Agosto de 2004, Jim McGreevy anunciou publicamente a sua demissão, assumindo com à-vontade uma ligagão gay. O choque foi devastador para ela, que na sua cega lealdade, não tinha sabido interpretar os sinais. Durante três anos recusou-se a falar do que sentiu. Finalmente, Dina decidiu que não podia ficar calada por mais tempo, divorciando-se e publicando a sua própria versão do que foi viver um casamento baseado na mentira e na traição.

Dina Matos Mc Greevey nasceu em Coimbra, mas naturalizou-se americana aos 18 anos. Actualmente é directora da Columbus Foundation, que promove a saúde e a qualidade de vida no Columbus Hospital em Newark, na Nova Jérsia, onde vive com a filha de cinco anos.

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