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sexta-feira, 20 de julho de 2007

Uma questão de autoridade 

Hoje foi dia de debate mensal. Uma vez mais e como já era de esperar, Sócrates desenvencilhou-se das críticas de forma rasteira, invocando o passado em vez de responder directamente ao que lhe é perguntado.
Logo na primeira intervenção, Marques Mendes voltou a fazer referência ao que ele vê como um «clima de intimidação, perseguição e intolerância» que se vive na Administração Pública.
Sócrates respondeu: «Ó senhor deputado Marques Mendes, gostava de saber onde está a sua autoridade moral. Lembro-me que foi num Governo onde esteve que o Nobel José Saramago foi censurado num livro e impedido de concorrer a um prémio».
E eu pergunto: ó senhor Primeiro-Ministro, mas o que tem a ver a bota com a perdigota? Não me diga que José Saramago é Administração Pública? Não me diga que aquilo que porventura possa ter sido um erro no passado serve agora de desculpa para os erros de V. Exa. no presente? Não me diga que agora se responde a perguntas com outras perguntas em vez de respostas? Não me diga que agora também vai dizer que o governo do PSD andou a limitar a liberdade de expressão de Saramago, que por acaso nem sequer vive em Portugal e até edita livros em quase todas as línguas e em quase todo o mundo? Realmente, grandes tentáculos deveria ter o PSD! Nem sei como não o exterminou a si logo de uma vez! Foi uma sorte! Adiante, que este homem revolve-me os fígados...
Um pouco mais à frente, Marques Mendes criticou o Governo pela perda de poder de compra dos portugueses e pelo empobrecimento do país, bem como pelo aumento do número de desempregados (470 mil) e disse: «Num único indicador o governo é campeão: é um campeão no domínio dos impostos». Aqui cabe relembrar que José Sócrates prometeu que, caso fosse eleito, não aumentaria os impostos...
Sócrates, por seu turno, em vez de se referir a estes dados concretos, preferiu outro tipo de abordagem e respondeu, ou melhor, perguntou: «Que autoridade têm os senhores para falar em questões económicas quando tiveram o maior falhanço de sempre nas questões económicos?».
Ou seja, para Sócrates, o PSD não tem autoridade. Para Sócrates, para que alguém possa dirigir-lhe críticas tem de ter autoridade. E quem é que confere essa autoridade? Não, não são os eleitores, através do seu voto num sistema democrático. Não. Quem confere a autoridade aqui é Sócrates. Ele é que sabe tudo e ele é que define quem pode e quem não pode dizer-lhe o quê. Sócrates não passa, portanto, de um ditadorzeco de meia-tigela que se acha inatingível, incriticável e o supra sumo da autoridade moral.
O meu "embirranço" com Sócrates deve-se precisamente a isso, ao facto de ele achar que tem uma autoridade que não tem. Sócrates confunde poder executivo com todos outros tipos de poder, refugiando-se num autoritarismo insustentável num Estado de Direito democrático. Faz o que quer e muito bem lhe apetece e julga que não tem de dar cavaco a ninguém. Mas tem.
Acho que já vai sendo tempo de alguém se insurgir contra estas intervenções ditatoriais e fundamentalistas do senhor Primeiro-Ministro. É que, afinal de contas, se o povo não tiver autoridade para fazer alguma coisa, quem mais terá?

Comentários:
adorei o blog

beijos

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