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quinta-feira, 29 de março de 2007

Tão Independente, tão independente (1) 

Era uma universidade tão independente, tão independente que se achava acima da lei.

O "Conselho Reitoral", figura criada à revelia dos Estatutos (quem é independente não precisa de órgãos estatutários) dizia aos alunos à boca cheia que havia a garantia pessoal do Primeiro-Ministro de que a universidade não seria encerrada e que continuaria a leccionar «por muitos e bons anos».

Era uma universidade tão independente, tão independente que falava em garantias mesmo sem as ter.

O governo de José Sócrates determinou hoje, através do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, a instrução de um processo de encerramento compulsivo da Universidade Independente por «manifesta degradação pedagógica». Leia-se o comunicado do Ministério: «Face ao agravamento da situação, o ministro determinou a instrução de um processo de encerramento compulsivo da Universidade Independente por manifesta degradação pedagógica, nos termos do artigo 47.º do Estatuto do Ensino Superior Particular e Cooperativo».
Agora pergunto eu: como é que o Ministério tenciona cumprir o parágrafo seguinte da nota de imprensa: «O Ministério tomará as providências necessárias para a salvaguarda dos interesses dos alunos e das suas legítimas expectativas, cuja defesa assegurará sem restrições»? É que logo a seguir a estas palavrinhas tão bonitas, joga-se o jogo do empurra: «É da exclusiva responsabilidade da empresa instituidora da Universidade Independente e das autoridades académicas por si nomeadas a integral normalização da situação e a recondução imediata da instituição ao cumprimento cabal dos seus deveres perante os estudantes e a sociedade».
O governo «zela», mas a responsabilidade «é da Universidade». E depois a Universidade é compulsivamente encerrada,ou seja, a entidade responsável desaparece. No fim de contas temos que garantias para os alunos? Zero vírgula zero.

Era uma universidade tão independente, tão independente, que um dia foi encerrada e nunca mais deu cavaco a ninguém.

Em Portugal é assim: mata-se o bicho, acaba a pessonha. Os doentes, que se lixem.

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