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segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

Para começar o ano a divagar! 

Há quem lhe chame teimosia incontornável, obsessiva até, outros designam-na como convicção, segurança de si mesma, independência ou, então, num tom muito negativo, incapacidade de ouvir o que dizem os outros... egoísmo... arrogância... tudo palavras diferentes para designar aquela que é unanimemente reconhecida como uma característica (defeito?) muito sua: a persistência de fazer sempre tudo como quer, como pensou, como imagina, à margem de todas as vozes que contra si, por si ou em si se possam levantar.
A própria cara metade o afirma muitas vezes, no calor daquelas palavras que por momentos afastam só para, imediatamente a seguir, aproximarem mais, unirem mais, fortalecerem mais: "Tu queres lá saber! Nunca ouves ninguém! Fazes sempre tudo à tua maneira! O que eu te digo nunca interessa nada, pois não?"
Mal sonha a cara metade o quão falsas são as exclamações, ecos de tantas frases iguais que já tantos lhe opuseram! Mal sabe a cara metade como guarda ela num canto inapagável da memória tanto do que já lhe disse... todas as palavras carinho de que é feita a aliança, todas as frases conforto das noites de desespero, toda a eloquência dos passeios pelos rumos que a vida há-de ter... as mais belas citações, as mais originais invenções, as mais tontas diversões... e alguns dos mais profundos punhais... e muitos dos mais doces afagos... Não imagina a cara metade como ouve essas palavras, como a marcaram já, como a mudaram... numa transformação a um ritmo muito seu, é certo, mas muito verdadeiro, também... e muito intenso!... Mal sabe ela o quanto ressoa a sua voz dentro de si quando o que diz lhe toca e lhe estremece...
Não adivinha, por exemplo, a cara metade, como lateja ainda a frase-luva com que resumiu, há uns dias atrás, a desordem dos sentimentos que ela tentava partilhar...

- Nobody know what it is to be me!...

Pois não, ninguém sabe!... É aliás, simultaneamente, a mais fascinante e a mais desesperante de todas as características humanas: a individualidade. Esta coisa de termos todos histórias e personalidades e sensibilidades diferentes, a fazer com que vejamos paisagens distintas ao soar da mesma nota, sintamos sabores diversos ao inalar o mesmo aroma, sejam diferentes os tremores perante o mesmo frio... A individualidade é, no fundo, a realidade metaforizada na imagem da Torre de Babel, o abismo que nos transforma a cada um de nós numa ilha... mas é também ela que torna tão mágico cada encontro, cada ponte que se constrói na constatação de que, apesar de todas as diferenças, há paisagens que se complementam; sabores que, encontrados, se apuram; tremores que, unidos, se aquecem...
... No entanto, nenhuma magia pode acontecer se não for verdadeira, genuína, natural... é por isso que, não obstante todas as pressões, todas as opiniões, todas as modas, não abdica daquilo a que tantos chamam teimosia, e a que ela prefere chamar um modo sincero de estar na vida... uma sinceridade reconhecidamente múltipla, estranha, complexa e difícil, é certo... mas, ainda assim, a sua... a única através da qual poderá, sem artificialismos, completar paisagens... aquela que estremece sempre que a cara metade consegue resumir numa só palavra todos os seus eus... o que muitos designariam como genuinidade e a que ela prefere chamar a fusão da multiplicidade... a paz!

Comentários:
AssumidaMente??!!!

lol
 
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