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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005

O debate 

Objectivamente. Levo esta coisa de votar muito a sério. Sou daquelas que acredita na democracia e sente o peso da responsabilidade da cruz anónima. Por isso, à hora d'O Debate lá me instalei em frente à televisão, de caderninho em riste, para ir fazendo as minhas apreciações à medida que as questões iam sendo respondidas. Objectivamente.

Vejamos então o que se pode concluir deste debate... objectivamente:

1. A campanha do boato.

Sócrates entrou bem. Via-se que estava nervoso e que levava a resposta mais do que estudada, mas respondeu bem. Os nervos e o estudo prévio não são pecado e a relativização da questão, salientando que estava ali para afirmar a necessidade de mudança do país e não para falar de boatos mentirosos ficou-lhe bem.
Santana foi demagógico, invocou os boatos de que também ele era alvo e afirmou, qual menino de escola ofendido, que Sócrates também o ofendera chamando-o incompetente e outros carinhos que tal. O "também", só por si, foi indiciador do reconhecimento da ofensa!
Quem esperava o "coming out" de Sócrates talvez tenha ficado desiludido com a história dos "boatos mentirosos". Mas como tanto apregoamos, cada um faz e diz o que quer da sua vida privada, nada temos a ver com isso.
1-0 para Sócrates.

2. A vida privada dos candidatos

Santana responde demagogicamente, afirmando que a vida em si não é importante mas as pessoas têm que ser coerentes. Não sei, já aqui o afirmei, o que é isto da coerência entre a homossexualidade e a política. Santana e a sua demagogia não me convencem.
Sócrates não consegue disfarçar o nervosismo, volta a falar dos "boatos mentirosos" e irrita-se. Não há necessidade. Esquece-se de responder à questão colocada pelo jornalista e passa para o confronto directo com Santana... Mais lhe valia ter respondido objectivamente!
Empate negativo entre os dois.
Mantém-se o 1-0!

3. Impostos

Sócrates não quer aumentar os impostos, mas também não quer baixá-los... Ou seja, do discurso de Sócrates percebemos, que em matéria fiscal, o PS quer estar quieto... e o resto dos segundos são aproveitados a atacar o anterior governo.
Santana prova que se preparou melhor. Apresenta números, métodos pelos quais o IRS poderá efectivamente baixar. Os números podem não estar correctos, todos temos consciência disso, mas a convicção e segurança com que são apresentados inculca no ouvinte a sensação de que sabe do que está a falar.
Santana teve ares de pessoa mais convincente e competente nesta resposta. É isso que se pretende de um Primeiro-Ministro: competência e à vontade com os números, para saber como decidir relativamente a eles e não ataques aos números anteriores.
1-1!

4. Pensões

Sócrates fala muito e não diz nada de concreto. Diz aquilo que todos desejamos em abstracto, mas não indica os caminhos que pretende usar para lá chegar.
Santana, mais uma vez apresenta caminhos concretos que o seu governo está já a tentar implementar. Mais uma vez, não há nenhuma nota de rodapé a confirmar-nos a veracidade dos factos, mas sente-se mais conhecimento de causa nas palavras do ainda Primeiro Ministro do que nas palavras de Sócrates.
2-1 para Santana.

5. Aumento dos salários

Sócrates não quer congelar os salários, como o fez este governo e aproveita mais uma boa dose de segundos para atacar o passado. Fala de um plano de combate à democracia e de uma guerra aberta à burocracia na administração pública. É demasiado vago para se compreender o que quer dizer.
Santana foge à questão directa do aumento do salário, mas afirma que quer promover a requalificação dos funcionários públicos... concretiza mais, mais uma vez, com números mais concretos, a saber a lição bem estudada.
3-1 para Santana.

6. Idade da Reforma.

A pergunta não podia ser mais directa. Santana também não. Fala da necessidade de inverter a pirâmide etária e tal, mas não se abstém de reconhecer que vai aumentar a idade da reforma para os 68 anos. Em geral concordo com os argumentos.
Sócrates foge ao assunto e responde pela negativa, sem se referir a idades e apregoando como se fosse a coisa mais objectiva deste mundo a diminuição dos estímulos à reforma antecipada...
Mais uma vez Santana esteve melhor.
4-1 para Santana.

7. Emprego

A grande bandeira de Sócrates, aquele que afirma ser o seu grande objectivo. Fala de crescimento económico e qualificação para aumentar o emprego, de estágios profissionais e da integração de milhares de gestores e informáticos.
Santana pergunta se Sócrates se pode comprometer com o emprego a fornecer por entidades privadas e a pergunta soa-me a pertinente. Além disso, refere as propostas que vêm sendo aprovadas e salienta que o número de estágios profissionais actualmente não anda muito longe do que os que o PS prometem.
Sócrates sai-se com a frase mais demagógica do debate "eu não posso, enquanto socialista, virar os olhos à pobreza"... lindo, mas não acrescenta um ponto às medidas concretas que pretende adoptar.
Mais uma vez Santana pareceu mais Primeiro-Ministro.
5-1 para Santana.

8. Co-incineração

Sócrates está como peixe na água e eu também. Ambos sabemos que ele tem razão relativamente aos resíduos orgânicos. Concordo com tudo o que afirma.
Santana não estudou muito bem este dossiê, fala da nova lei, que tem o apoio dos ambientalistas. POis tem, mas não resolve a questão dos resíduos orgânicos e ele não nos explica porquê!
Sócrates a jogar em casa:
5-2, ainda com Santana à frente.

9. Questões sociais

A questão é mal colocada: mete tudo no mesmo saco: aborto, referendos, valores... todos percebemos onde querem chegar, mas nem os jornalistas têm frontalidade para o perguntar directamente.
Santana enterra-se. Fala de tudo, desde a eutanásia até à adopção por homossexuais. Diz coisas tão esclarecedoras como "eu por mim nem sim, nem não, antes pelo contrário", tenta ir buscar a eutanásia para não parecer que está a falar da homossexualidade, mas é da homossexualidade que efectivamente fala. Ficamos a saber que quer regulamentar as uniões de facto... ao menos isso, já é um passo!
Do que pensa Sócrates, não sabemos nada. Acha que são questões que não estão na agenda política...
Santana confune-se e Sócrates deve ter a agenda de '05... 1905! Nenhum leva ponto que nenhum merece e fica o resultado na mesma: 5-2!

10. Derrota

Pergunta perniciosa: a Sócrates perguntam o que é a derrota, a Santanta se considera o afastamento da liderança após a derrota.
Sócrates responde muito bem. De modo inteligente. Fala do objectivo da maioria absoluta, mas não transforma essa maioria em compromisso, a salvaguardar já responsabilizações possíveis em caso de represálias, se tudo correr mal para o PS no dia 20 de Fevereiro.
Santana também responde bem.
Ponto para os dois.
6-3.

E é assim, que objectivamente o meu caderninho de notas me diz que quem ganhou este debate foi Santana Lopes.

De facto, não tenho dúvidas que assim há que considerar. Sócrates estava nervoso, apreensivo, notava-se que levava um discurso estudado e dali não podia fugir. Senti-o preso às suas próprias palavras... ou às palavras que alguém lhe ditou!
Santana não. Santana teve pose de Estado, revelou-se um conhecedor, pelo menos mínimo, dos processos, mais calmo e com propostas muito mais concretas e realizáveis.

Não fora eu conhecer já o Pedro Santana Lopes Primeiro-Ministro e não esquecer ainda o desastre que foram alguns sectores da sua governação e hoje estaria tentada a votar nele...

Mas porque a memória não me falha, vou-me deitar, ainda hoje, com a indecisão do voto a pesar-me.

Definitivamente, falta à política portuguesa o fulgor e a emoção de verdadeiros combates de neurónios de outros tempos para que a classe se dignifique e nós nos conveçamos!
... Ah, e quanto ao modelo norte-americano do debate, ficou provado, mais uma vez, que os Estados Unidos de bom só têm mesmo a Coca-Cola!

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