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quarta-feira, 1 de dezembro de 2004

Sida no Feminino 


"Os dias em que esta doença era conhecida como gay cancer ("cancro gay") acabaram há muito. Quotidianamente, não é possível identificar grupos de risco, mas sim comportamentos de risco. Homo e heterossexuais, mulheres e homens, jovens e adultos, negros e brancos, todos estão sujeitos a contrair a doença, que, sabe-se hoje, não está ligada a nenhuma característica particular do indivíduo, mas surge antes com consequência dos seus actos. A prevenção assume hoje mais importância do que nunca - o caminho é o do alerta para os comportamentos de risco."

Blá, blá, blá, blá... O discurso é igual todos os anos. Estamos fartas!

Campanha da UNAIDS, 2004Desde 1988, ano em que se assinalou pela primeira vez o Dia Mundial de Luta Contra a Sida, morreram mais de 24 milhões de pessoas vítimas da doença. Neste número incluem-se cada vez mais raparigas e mulheres. Os números são assutadores: mais de 50% da população mundial portadora do VIH é do sexo feminino, segundo dados da Organização Mundial de Saúde. Por isso, o dia de hoje é especialmente dedicado à Sida no feminino, e o lema da campanha é "As mulheres, as raparigas e a Sida".

Globalmente, as raparigas e as mulheres são mais susceptíveis ao VIH do que os rapazes ou os homens. Têm menor acesso à informação e, em muitos países, um grau de escolaridade menor ou inexistente. A isto soma-se um inadequado conhecimento das formas de transmissão da doença, o acesso insuficiente aos meios e serviços de prevenção, a incapacidade de negociar o sexo protegido e a falta de métodos de prevenção especificamente femininos (como o preservativo feminino). As estatísticas demonstram que a maior parte das mulheres que têm Sida foram infectadas pelos seus parceiros sexuais (regra geral, por homens).

Particularmente, um dos aspectos que contribui para esta situação e não pode continuar a ser ignorado ou subvalorizado é a relação entre a Sida e a guerra. Nos últimos anos, os conflitos armados têm-se multiplicado por todo o mundo. A título de exemplo citem-se os casos dos Balcãs, do Ruanda, da ex-Jugoslávia, de Timor, do Iraque, da Serra Leoa...
Mais do que nunca, a violação é usada como arma de guerra. Nesta prática, milhões de mulheres são forçadas a manter relações sexuais com um sem número de parceiros, com o objectivo de lhes arrancar a dignidade moral e sexual e de as exterminar enquanto portadoras da identidade do seu povo. Mas esta prática tem também como reverso a propagação da Sida entre as mulheres, vítimas fáceis e forçadas desta doença. As mulheres e as crianças correm maiores perigos e, como tal, devem ser mais bem protegidas.

A responsabilidade dos Estados nesta matéria é enorme. Todavia, continuamos a assistir ao recurso à intervenção bélica por tudo e por nada, e à legitimação deste tipo de actos por parte das instâncias com poder decisório nesta matéria. É urgente que os militares agentes destes crimes de violação sejam julgados e punidos. Esta talvez seja a melhor arma de combate contra a Sida entre as mulheres.

À comunidade internacional, em nome destas e de todas as mulheres, só tenho uma coisa a dizer e exigir: Deixem-se de tretas e lutem!

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