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quinta-feira, 30 de dezembro de 2004

In memoriam 

Susan Sontag
(28.I.1933 - 28.XII.2004)

Fotografia de Annie Leibovitz

Escritora e ensaísta norte-americana, de destaque internacional e enorme irreverência, Susan Sontag foi distinguida com numerosos prémios literários, entre os quais se conta o National Book Award, atribuído em 2000 pelo romance histórico "Na América", o Prémio Príncipe das Astúrias das Letras (Espanha, 2003) ou o Prémio Jerusalém da Literatura, o mais prestigiado prémio de Israel para escritores estrangeiros, em 2001. Também em 2003, foi galardoada com o Friedenspreis des deutschen Buchhandels, durante a Feira do Livro de Frankfurt.

É autora do ensaio sobre estética homossexual "Notes on Camp" (1964), que lançou definitivamente a sua carreira literária. Entre os seus 17 livros, traduzidos em diversas línguas, destacam-se o romance "Sob o Signo de Saturno" (1972) e o best-seller
"O Amante do Vulcão" (1992).

Mas nem só de literatura viveu Sontag. Os seus múltiplos interesses (jornalismo, filosofia, cinema, fotografia) valeram-lhe o destaque como uma das vozes mais incómodas entre os intelectuais do seu país, tendo muitas vezes proferido afrimações polémicas.

Sontag foi uma incansável activista dos direitos humanos. Feminista convicta, era conhecida pela sua capacidade de conversar horas sobre os temas mais variados. Apesar de já travar a luta contra a doença, não deixou de apresentar o seu protesto a propósito do atentado ao World Trade Center, responsabilizando a actuação das administrações americanas pelo sucedido. Em 2003 insurgiu-se contra a guerra no Iraque, em rota de colisão com o Presidente George W. Bush.

Filha de uma família judía, Sontag nasceu em 1933 em Nova Iorque, a sua cidade de sempre, mas passaria a infância e adolescência entre o Arizona e Los Angeles, antes de ingressar na Universidade de Chicago, passando depois pelas universidades de Harvard e Oxford.Em 1968, é enviada como correspondente para o Vietname, um conflito que a marcará profundamente e que reforçará a suas convicções pacifistas. Vinte e cinco anos depois volta a um cenário de guerra, desta vez na Bósnia Herzegovina para alertar o mundo da escalada de horror vivida na Jugoslávia em derrocada. Com Sarajevo debaixo de um sangrento cerco, Sontag desloca-se à cidade, onde dá aulas de arte dramática e encena juntamente com outros intelectuais a peça "À Espera de Godot", de Samuel Beckett.

Entre 1987 e 1989, presidiu ao Centro Americano PEN, uma organização internacional de escritores dedicada à defesa da liberdade de expressão, através da qual liderou numerosas campanhas a favor da libertação de escritores perseguidos ou detidos em vários pontos do globo.

Susan Sontag vivia com a fotógrafa Annie Leibovitz, com quem escreveu o livro Women, de onde extraí o seguinte excerto, que transcrevo:

We assume a world with a boundless appetite for images, in which people, women and men, are eager to surrender themselves to the camera. But it is worth recalling that there are parts of the world where being photographed is something off-limits to women. In a few countries, where men have been mobilized for a veritable war against women, women scarcely appear at all. The imperial rights of the camera--to gaze at, to record, to exhibit anyone, anything-are an exemplary feature of modern life, as is the emancipation of women. And just as the granting of more and more rights and choices to women is a measure of a society's embrace of modernity, so the revolt against modernity initiates a rush to rescind the meager gains toward participation in society on equal terms with men won by women, mostly urban, educated women, in previous decades. In many countries struggling with failed or discredited attempts to modernize, there are more and more covered women.

Faleceu no passado dia 28 de Dezembro, aos 71 anos.

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