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sábado, 16 de agosto de 2003

Se um carro transtorna, imagine um preconceito! 


Ontem cheguei a casa mais tarde do que o costume. Verão, imensa gente de férias, não é necessário descrever o cenário pormenorizadamente porque ele é familiar a todos: carros estacionados por tudo quanto é sítio (e mesmo quanto não é), incluindo passeios e garagens. E a minha não escapou, não senhor. Quando cheguei, um carro desconhecido ocupava parcialmente a entrada da minha garagem.
Bem sei que nestas alturas é (ainda mais) difícil encontrar um espacinho para arrumar o carro. Bem sei que ninguém gosta de estacionar o carro longe da vista, muito menos se isso implicar despender um cêntimo que seja, com parques ou aquelas criaturinhas afáveis e perfumadas inventadas pela necessidade (dizem uns, pelo comodismo, digo eu), os arrumadores. Bem sei que é muito mais agradável estacionar o carro na zona onde sempre se estacionou, quanto mais não seja porque sabemos quem por lá passa e isso, não se explica, dá-nos uma certa sensação de segurança.
Mas, pelo amor de Deus, não estacionem o veículo (como é corrente dizerem os tais afáveis e perfumados) nos passeios nem em frente a garagens! O civismo não é uma obrigação, não é uma opção, é uma inerência! É uma inerência à vida em sociedade, ao convívio com os outros, à partilha dos (escassos) espaços!
Nem imaginam o tempo que estive a matutar quando me deparei com a cena. Pensamento primeiro: "Vou chamar a polícia! Mas de que vale, se quero guardar o carro e não tirá-lo da garagem? Não vale a pena, porque eles multam, mas não rebocam. E a multa, far-me-á mais feliz? Mais vingada? Não! E além disso não resolve o meu problema." Pensamento segundo: "Vou buzinar. Quem estacionou vai certamente querer verificar se o chamamento é para si e vem tirar o carro". Cinco minutos depois concluí ­ que além de desconhecer o Código da Estrada, era surdo! Pensamento terceiro: "Vou procurar um lugar para arrumar o carro e vou para casa". Quinze minutos depois, enjoada de tanto andar às voltas e a mortificar-me por ter bombardeado o ambiente com emissões de dióxido de carbono absolutamente desnecessárias, desisti. Restou-me esperar que o dono do carro o tirasse quando achou conveniente, a seu bel prazer. Perdi o começo de (e a vontade de ver) um filme, perdi o (pouco) apetite que me restava, perdi uma chamada importante, perdi a paciência. Mas em contrapartida, inventei (o que julgo ser) um bom slogan: "Se não for civilizado, não compre um carro, ande a pé. Ou antes, não saia de casa. Sente-se no sofá e leia um Manual de Boas Maneiras. E o Código da Estrada, claro".
Ninguém tem o direito de dificultar a vida dos outros só porque isso facilita a sua. Ninguém tem o direito de tomar como seus espaços da vida dos outros. Mas se nem nos pequenos gestos o meu Portugal respeita os direitos das pessoas, como poderei esperar que o faça em relação às grandes questões? De nada valem a lei, a polícia, a multa, a busca de novos caminhos. Resta-me esperar que, um dia, os que partilham este espaço a que chamamos mundo tirem definitivamente todos os mamarrachos (corpóreos ou não, meus bons entendedores - e remeto para o título, para os menos atentos) que impedem a progressão da vida dos outros a seu bel prazer!


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