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sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Uma questão de (bom) gosto 

Há tempos, em conversa animada, perguntaram-me se, podendo optar, eu preferiria ser bonita ou que a minha namorada fosse bonita. Respondi que, obviamente, preferiria que a minha namorada fosse bonita. É que a responsabilidade pela nossa própria beleza, aquela com que nascemos, pelo menos, não nos pode ser directamente imputada: nascemos com ela ou com falta dela e ponto final. Mas termos uma namorada bonita é uma questão de bom gosto, caramba! E os nossos gostos são-nos imputáveis.
A expressão «os gostos não se discutem» é uma das falsidades mais incutidas nas sociedades contemporâneas. É que os gostos não se discutem se estivermos a falar de gastronomia, por exemplo. Mas se estivermos a falar de moda, outro exemplo, já se discutem e muito. Aliás, toda a gente discute os gostos de toda a gente, ou a expressão «bom gosto» nem sequer existiria. A verdade é que toda a gente tece considerações sobre as roupas, as decorações das casas, os objectos pessoais e tantas outras coisas que os outros têm, para classificá-las de sinónimos de «bom» ou «mau» gosto. Leiam-se as revistas, ouçam-se as conversas e vejam-se os programas televisivos.
Por isso, reafirmo que preferiria ser feia e ter uma namorada bonita do que o inverso. E se há coisa que eu nunca tive foram namoradas feias, muito pelo contrário. Sou uma mulher de bom gosto. Mas nem todas as mulheres o são. E, com a vossa licença, permiti-me que agora seja um pouco corrosiva: há gostos para tudo e os camafeus, mesmo os mais desajeitados e descuidados camafeus, vão, por uma razão ou por outra (e as razões podem ser tantas - meu Deus! - e nem sempre se prendem com os sentimentos...) tendo saída. Helàs, como diz o povo e com razão: «há sempre um testo para uma panela». Sábio povo, este. ;)

Já agora e porque já está aí à porta: que o vosso primeiro fim-de-semana de 2007 seja em grande! :)

:: ADENDA (em 07.01.2007) ::
Depois de ler alguns dos comentários feitos a este post, penso que há necessidade de esclarecer um aspecto.
O objectivo do post não é fazer uma exaltação da beleza enquanto factor primordial da "escolha" das pessoas por quem nos apaixonamos e/ou namoramos. E isto, desde logo, por dois motivos. Primeiro, porque, na minha opinião, não creio que nós escolhamos as pessoas que amamos; quem as escolhe é o nosso coração, embora nós possamos escolher envolvermo-nos ou não afectiva ou fisicamente com elas. Segundo, porque nem sempre as nossas namoradas são pessoas que nós amamos (por isso eu disse que as razões para alguns namoros poderiam ser múltiplas e não necessariamente relacionadas com sentimentos...).
Além destes dois motivos há outros para que eu não tenha feito a apologia das relações baseadas apenas na beleza. No texto, refiro-me à beleza em sentido estrito, ou seja, separada de todos os outros factores. Para contextualizar melhor: quando digo que preferia ter uma namorada bonita a ser bonita, não estou a dizer que namoraria com uma mulher por ela ser bonita e não namoraria com outra por ela ser feia. Estou a dizer que, isoladamente, atribuo à beleza um papel importante, mas, obviamente, não lhe atribuo um papel fundamental (no sentido de decisivo ou preponderante) na conjugação de todas as características que compõem um ser humano.

Espero, com esta adenda, ter-me feito entender melhor. Ainda assim, o que de maravilhoso em ter um blog e escrever textos assim é colher as mais variadas reacções e é ver que do que escrevemos podem ser feitas múltiplas interpretações. Quem lê com regularidade o Assumidamente certamente já se apercebeu de que eu, de vez em quando, gosto de escrever um ou outro post mais polémico, em tom mais inflamado, mais cínico ou mesmo jocoso. E gosto de o fazer porque o feedback de quem me comenta dá luta e isso é o mais gratificante para qualquer blogger.
Agora façam o favor de continuar a desancar ali nos "coming outs" que eu sempre quero ver onde é que esta polémica vai levar! :)

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