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quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Idealista 

Como alguns terão certamente reparado, ali ao lado, na grafonola, tocou durante os últimos dias a versão dos Nouvelle Vague de Killing Moon, a propósito do concerto que a banda deu no passado dia 13, no Hard Club, em V. N. de Gaia, que eu fiz questão de publicitar aqui no blog. Diz quem por lá passou que foi memorável. Outra coisa não se esperava. :)

A partir de hoje é a vez de Lloyd Cole cantar para quem por cá passa. A faixa chama-se Young Idealists e é a primeira do álbum Anti Depressant, lançado no dia 16 de Setembro. Já tive oportunidade de ouvir várias canções e só vos digo que este homem está cada vez melhor. Não posso dizer que haja uma faixa que me desagrade neste álbum, como sucedeu com outros que ele lançou. Mas como tudo depende da apreciação subjectiva, não há nada como cada um ouvir e dizer de sua justiça. Eu, por mim, continuo Ready To Be Heartbroken (clicar para ouvir) pelo senhor Cole. E como desconfio que estas meninas também, hoje a grafonola vai com dedicatória e beijo especial para as três. :)

Um dos aspectos que me fez seleccionar esta música de entre as que compõem o álbum foi a letra. Young Idealists fala sobre aquilo que muitas vezes é apelidado de ingenuidade nos jovens. Quando somos mais velhos, suponho que a ingenuidade passe a utopia, e continue a não ser levada a sério. Quando ouvi a música pela primeira vez, lembro-me de ter ficado a pensar naquilo em que já acreditei e já não acredito, mas também naquilo em que já acreditei e ainda acredito. Se é verdade que desisti de muitas das minhas ideias (umas vezes muito precocemente, outras depois de muito ter esperado que algo acontecesse), também não é menos verdade que continuo a manter a crença em muitas delas.
Em relação àquelas que já abandonei, nutro uma espécie de misto de nostalgia e desilusão. Robert Doisneau [1912-1994], «O Relógio»Umas vezes, foram os outros que me desiludiram, mas eu também me desiludi a mim própria – e mais vezes do que gostaria de o ter feito. Não foram só os outros que me tornaram descrente, eu também contribui muito para isso. Sinto isto, particularmente, em relação àqueles assuntos que exigiam mais de mim do que uma simples ideia, que exigiam acção e compromisso. Cá dentro, bem cá dentro, chego até a ter uma certa vergonha pela minha acomodação. Foram muitas as vezes em que tracei como objectivo mudar isto e aquilo, ou pelo menos contribuir activamente para a mudança e em que não cumpri esse objectivo. Falo da minha vida pessoal, mas também de voluntariado, de compromissos assumidos perante algumas pessoas, perante instituições, de conversas que prometi a mim própria que teria com certas pessoas… tudo coisas que acabei por nunca fazer. E quando penso que se calhar falhei nesses compromissos porque eles eram recíprocos e o outro não cumpriu a sua parte, não fico mais consolada por isso, porque me resta sempre a responsabilidade de não ter feito a minha parte. Mesmo que o outro tenha ficado em falta comigo, eu deveria ter feito a minha parte.
Mas há ainda ideias nas quais acredito. Há coisas que, por muito que aconteça, eu continuo a acreditar que podem vir a ser realidade. Algumas são altamente improváveis aos olhos dos outros (de quase todos os outros), contrariam até as estatísticas, anos e anos de experiências e de teorias, mas eu continuo a acreditar nelas. Acho até que sou como sou, vivo do modo que vivo e trabalho como trabalho porque acredito nessas coisas. Poderia pôr-me aqui a enumerar aquilo em que acredito, mas não me parece que essa seja a melhor forma de demonstrar em que é que eu ponho fé. Prefiro que as pessoas infiram os meus valores pela minha postura e pela minha forma de pensar. E que daí percebam em que é que eu creio.
Sem querer, portanto, enumerar, permito-me apenas referir algo em que eu acredito e que molda todos os outros aspectos da minha vida: o sempre. Por isso, julgo que há coisas nas quais acreditarei sempre. Isso faz de mim uma idealista ou já uma utopista? Não sei. Mas se sim, então eu serei sempre uma young idealist, como diz a canção do Lloyd Cole. Serei uma daquelas pessoas em quem a saudade se mistura com a esperança, a fé com o desânimo, a alegria com a tristeza, a ilusão com a realidade, a fantasia com o quotidiano, o choro com o riso e o nunca com o sempre. E por isso tenho cá para mim que quando já for velhinha, muito velhinha (e andar à bengalada com a Chocolover para ela desligar a televisão por eu não suportar ver mais nenhum episódio da série "The L Word" de cada vez que estivermos juntas), serei sempre jovem e idealista.
E é por isso também que eu digo repetidamente que acredito, que acreditei sempre, que acreditarei sempre. ;)

Imagem: Robert Doisneau [1912-1994], «O Relógio»

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