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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

Rescaldo 

Uma semana depois de duas mulheres terem dado início a um processo judicial que tem tudo para ficar na História, aqui fica, de A a (quase) Z, o que, um pouco por toda a blogosfera se escreveu sobre o assunto.
As citações que aqui se fazem são, obviamente, da responsabilidade de quem as escreveu e nem todas correspondem - como será fácil de perceber - à nossa opinião. Mas porque é do debate sério de ideias e argumentos opostos que vivem as democracias, aqui fica uma amostra das afirmações que o acto da Teresa e da Lena suscitaram.
Que continue o debate! E que dê bons frutos!

Abrupto: (...) poucas coisas conheço mais conservadoras do que reivindicar o “casamento” para os homossexuais.

Blasfémias: Eu só queria ficar com um substantivo. 'Casamento'(*). Pelo menos para não ter que mudar o dicionário.

Canhoto: (...) que o famoso artigo 13o da lei das leis do nosso ordenamento jurídico existe é um facto. E não foi nele introduzida, pelos legisladores, uma referência explícita à questões da orientacão sexual por acaso. Ou para que agora possamos dar-nos ao luxo de a ignorar ou de a ler com um âmbito limitado, vedando-lhe aplicabilidade a esferas fundamentais da vida social - como a familiar.

Da Literatura: O Estado tem de dar eficácia a uma Lei que só existe para iludir tolos, sejam heteros ou homos. Para os deputados, a quem cabe legislar, esta via facilita. O clamor que sobe das ruas não pode ser ignorado...

Espectro: Era o que faltava que agora que os heterossexuais começam a perceber a “armadilha” reaccionária que está implícita no contrato matrimonial, viessem os homossexuais, armados em conservadores, tentar recuperar um hábito que qualquer liberal (sem conotações polémicas), hoje em dia, despreza.

Fragmentos: Se os homossexuais desejam realmente o respeito das pessoas ditas “normais” (termo que eu rejeito vivamente, pois que acho que normais somos todos nós, e não é a orientação sexual que muda o estado de alguém), então que deixem de reivindicar coisas que não lhes pertencem, como se pertencessem, e assumam as suas diferenças com frontalidade, deixando de quererem ser umas vezes os coitadinhos, e outros os carrascos.

Glória Fácil: Era óptimo que nesta discussão se começasse por respeitat um princípio basilar -- o da seriedade, que não é da constituição mas devia ser constitucional em pessoas que se querem de bem.

H2omens: Está mais que na altura de desfazer os nós das nossas gargantas e da mentalidade desta sociedade tacanha. Desfaz-se o nó, pedindo o nó em casamento.

Incorrecto: Porque é que Teresa e Helena tiveram uma cobertura mediática sem precedentes neste tipo de situações? Porque é que nenhum outro casal Gay Português, com as mesmas pretensões não teve direito ao mesmo mediatismo?

Jardim de Luz: Não consigo descobrir onde é que a minha história de amor é diferente da história da Lena e da Teresa.

Mau tempo no canil: Não há maneira de melhorar o ensino das línguas. Ninguém percebe que no debate sobre os casamentos homossexuais é proibida a utilização da terceira pessoa do plural. Seria a mesma coisa que escrever que a constituição dos EUA começa com um "They the people".

Notas Várias: Se é verdade que o casamento entre pessoas do mesmo sexo não se dirige exclusivamente a homossexuais (do mesmo modo que há muitos homossexuais em casamentos heterossexuais, pelos mais diversos motivos), o certo é que esta discriminação - como é óbvio - atinge em primeiríssima linha os homossexuais.

O Farol das Artes: A discriminação não é um problema do grupo discriminado. É um problema de toda a sociedade que urge combater e, se culturalmente, a mudança pode ser lenta, as leis mudam-se facilmente.

Portugal Contemporâneo: (...) a lei não deve escusar-se a reconhecer a realidade do mundo a que se destina.

Quarta República: É que, se o conceito de casamento deixa de ser exclusivamente a união entre um homem e uma mulher que querem constituir família, para passar a ser apenas o reconhecimento oficial de que há duas pessoas que querem praticar sexo entre si, o Estado passa a registar a constância da actividade sexual de cada um em vez de tomar nota de um casamento.

Random Precision: Deveriam ser os nossos políticos a assumir, com a mesma coragem com que a Lena e a Teresa deram a cara por esta causa e por esta luta, a decidir politicamente uma solução para este caso.

Sobre o tempo que passa: Julgo que tudo seria resolúvel pelas simples liberdade contratual, através de fórmulas imaginativas que criassem novas tipicidades, mas sem alterar as tipicidades casamenteiras e familiares clássicas para os que quisessem continuara a integrá-las, mantendo o nome tradicional para o contrato e a instituição, secularmente testadas.

Tugir: Não me oponho ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, porém agradeço que não façam do caso nem uma prioridade nacional, porque não é, nem um espectáculo da vida íntima, pois as pessoas merecem recato, sejam elas hetero ou homossexuais.

Comentários:
Antes de mais, e pode ser só impressão minha, mas os conceitos de conservadores e liberais está um pouco trocado nas diversas (não todas) as opiniões aqui expostas.

Canhoto: as leis também se adaptam à evolução da realidade em que vivemos.

Glória Fácil: Seriedade é não desprezar outro ser humano independentemente da orientação sexual.

Incorrecto: Tanto quanto sei, este casal foi o primeiro a realmente meter os papeis no registo civil.

Quarta Republica: Um casal homossexual ama como qualquer outro casal, e teêm todo o direito de poderem disfrutar do que de esse amor advém. Um dos frutos, é o casamento.

Sobre o tempo que passa: A criação de um novo conceito de casamento só para os homossexuais, não é diferente da negação do actual.

Tugir: A discriminação aos homossexuais, já dura à muito tempo. Tendo em conta a dimensão socio-cultural que este tema atingiu, talvez deva tornar-se mesmo uma prioridade.

Quero deixar aqui bem explicito, que as interpretações aqui escritas, tiveram por base unicamente as citações passadas neste post, e podem estar descontextualizadas com o resto dos respectivos textos em que foram escritos, e como tal, serem (os comentários às citações) passiveis de estarem errados.

Assumidamente: Tens um recado no meu blog.LOL desculpa qualquer coisinha (nomeadamente, se não gostares do apelo!LOL).

Boa tarde.
 
citações muito 'mainstream', de um lado ou de outro... aliás, como o tom geral deste blog. só mesmo a esperança de que esteja enganada e poderei surpreender-me, me faz espreita-lo.
 
skeptikal responderei ao recado com todo o gosto... mas com tempo: umas das minhas manias é demorar sempre imenso tempo a responder aos desafios... mas respondo sempre ;-)

lr, pelas vezes que cá comentas dá para perceber que és uma pessoa de esperança e, de facto, isso é muito pouco "mainstream"!
 
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