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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005

Intenção de voto 

Graças ao (triste) sistema eleitoral que temos em Portugal, este ano o meu voto não vai passar disso: uma intenção!
Ao fim de uma das mais intelectualmente pobres campanhas eleitorais de que há memória lá me decidi a votar Bloco de Esquerda.

As razões? As razões definem-se mais pela negativa do que pela positiva, que é como quem diz, mais por demérito dos adversários do que por mérito próprio.
Não quero com isto dizer que não gosto deste Bloco, longe disso. O programa político do Bloco, desde o programa económico ao programa social é aquele que mais se aproxima da esquerda que ideologicamente defendo.
A questão é que, este ano, estava mesmo decidida a votar PS:
- porque também acreditava que a maioria absoluta é essencial para a estabilidade do país,
- porque não gostei do governo de Santana,
- porque entre um governo de direita e um governo de esquerda prefiro, por inerência ideológica (sim, chamem-me dinossauro mas para mim este ainda é um critério!) um governo de esquerda,
- porque voto num círculo eleitoral onde é certo e sabido que o Bloco não elege nenhum deputado e, por isso, o meu voto no Bloco seria um voto perdido...

... Mas depois veio a campanha, veio Sócrates, veio o pior do que o PS tem. Sócrates nesta campanha não conseguiu disfarçar o que não tem: ideias, iniciativa, originalidade, capacidade de argumentação e de retórica, capacidade de estudo e conhecimento dos dossiers... tudo resumido em duas palavras - inteligência e competência!
Não sei se fui só eu, mas senti sempre nos discursos de Sócrates que assistia à oral de um aluno de Universidade que tinha marrado à entrada da sala os tópicos ditados pelo barra da turma, de seu nome Vitorino. Não reconheço em Sócrates a capacidade de um lider, muito menos vejo em Sócrates capacidades para governar o País. Confesso, até, que a escolher entre Sócrates e Santana para Primeiro-Ministro pelo perfil, pelo carácter e pelas capacidades preferiria Santana!

Não me deixam, porém as minhas convicções ideológicas votar em partidos da direita para eleições legislativas: é todo um programa político, toda uma construção político-filosófica de Estado e Sociedade com a qual não concordo e, consequentemente, na qual não seria coerente votar.

Não posso, portanto, votar PSD por uma questão de coerência interna; do mesmo modo não posso votar na esquerda bolorenta que o PCP me sugere; e, por fim, não posso votar PS por uma questão de consciência (não quero, de modo algum, sentir-me responsável pela desgraça que vaticino ao País com um governo "socrático")...
Para mim, como já disse, o Bloco de Esquerda não é opção, por não haver sequer leves resquícios de esperança de que eleja um deputado no círculo eleitoral em que voto. Ainda assim, na opção entre votar em branco ou votar Bloco, por todo o trabalho que este partido fez na Assembleia da República, pelo programa político ideologicamente coerente que apresenta, e apesar da campanha eleitoral realizada, no dia 20 lá vou manifestar a minha intenção de que o Bloco cresça... quem sabe se, nos próximos quatro anos, a (má e desadequada da realidade) lei eleitoral que temos for alterada, nas próximas Legislativas este voto seja mais do que uma intenção!

Finalmente, aqui fica a minha manifestação do que seria um bom cenário para a noite de dia 20: que a maioria longe de ser absoluta fosse tangente e que, em face do mau resultado, Sócrates fosse substituído por António Vitorino! Gente competente é o que é preciso!

Bem, allia jacta est, agora é torcer os dedos e esperar!

P.S. - Mente querida, lembra-te do quanto me amas e tenta ultrapassar depressa essa vontade de cortar relações comigo por causa da minha decisão eleitoral, please!

Comentários:
Parabéns! Também votei BE. Hoje, já não somos assim tão poucos. Quantos votos faltavam para eleger um deputado pelo teu círculo eleitoral?
 
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