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segunda-feira, 2 de agosto de 2004

"Assumidamente" revisited 

Benvind@s

... Isto se houver alguém desse lado deste écrãn sem vida, paradoxalmente janela do maior de todos os mundos.
Benvind@s, dizia eu a este blog que é assumidamente isso mesmo e só isso - um blog, sem objectivos, sem regras, sem condições! Livre como só um blog pode ser!
Um blog assumido: assumidamente lésbico, assumidamente apaixonado - pela vida, pelas coisas, pelas pessoas (por uma muito em especial!), assumidamente cultural, assumidamente reivindicativo... assumidamente nosso!
Um blog que será assumidamente tudo aquilo que assumidamente não posso assumir para além deste écrãn; um blog que será assumidamente o meu mais profundo grito no silêncio em que assumidamente o mundo ainda nos obriga a gritar.
Um blog que é também um convite a tod@s aqueles que queiram gritar connosco.
Assumam-se! Nem que o façam assumidamente na penumbra de um blog... como o nosso!

Foi com estas palavras que a Assumida Mente deu início a este blog, há exactamente um ano atrás. Nelas estava contido o desejo de estabelecer contactos, criar raízes, desenvolver raciocínios, trocar ideias, fazer amizades, bater com os punhos na mesa... nenhuma de nós poderia imaginar que passados 364 dias teríamos alcançado bem mais do que isso...

Muito mais do que os nossos desejos iniciais, este blog assumiu um papel muitíssimo importante nas nossas vidas. Não que lhe tenhamos concedido muito do nosso tempo - até porque ele parece escasso para tudo... Mas porque demos por nós cheias de ideias para discutir, de posts para escrever! Muitas dessas ideias mantêm-se em turbilhão nas nossas mentes [:-)], porque ainda não as plasmámos neste espaço.

Ao passar em revista um ano de posts, lembro-me de alguns combates que já aqui foram travados, os que retenho ainda na memória - orgulho gay (este travado entre nós as duas), prostituição homossexual, blogs homossexuais, a homossexualidade e a religião católica... e alguns outros...

Aqui ficaram muitas das nossas convicções sobre muitos temas - a situação actual dos homossexuais deficientes, o conceito de "família", bébés, os bares gay friendly, o artigo 175.º do Código Penal, a violência entre as lésbicas, a adopção por casais homossexuais, relações entre pais e filhos, a Marcha do Orgulho Gay...

Aqui falou-se de cinema, de literatura,de algumas questões sociais, de política, nacional e internacional...

Um dos aspectos incontornáveis deste blog é o título: Assumidamente. Parando dois minutos para analisá-lo, percebe-se a ironia que está por detrás desta palavra: Assumidamente. De facto, neste blog, pode parecer que nada é assumido, como dizia há dias a Pilantra num comentário... Pelo contrário. Neste espaço assumimos as nossas convicções, as nossas ideias, as nossas crenças, as nossa opções, os nossos gritos... o que de mais importante tem um ser humano que não seja isto? A identidade? A identidade de nada vale, conhecendo-nos quem nos lê como nos conhece...

Uma das mais agradáveis surpresas desta aventura foi a ponte que se estabeleceu entre nós e as nossas leitoras brasileiras - absolutamente inesperado e, no entanto, tão gratificante!

A outra foi talvez o prazer que tivemos em ver nascer inúmeros blogs lgbt. Quando criámos o "Assumidamente", já cá andavam o Miguel e o Single White Male. Blog lésbico não havia nenhum. O facto de o "Assumidamente" ter sido o primeiro a ser criado não nos traz nenhum estatuto especial, mas dá-nos uma experiência única: assistir ao nascimento de tantos, tantos outros. É muito bom saber que se hoje se fala em Blogaysfera Portuguesa, nós assistimos ao seu despontar, sereno mas pujante. Estamos cá para ficar, disso não haja dúvidas.

Creio que com os blogs se deu início a uma nova forma de intervenção social, de activismo, se assim quisermos chamar-lhe. Foi e é para mim e para a Assumida Mente um privilégio ter tomado parte desde mundo no seu estádio ainda embrionário. Mas verdade seja dita que os blogs, por si só, não fazem nada. Os leitores é que fazem os blogs - tornam-nos mais ou menos populares, mais ou menos lidos, falados, comentados... A todos os nossos leitores, um bem hajam. Este aniversário também é vosso.

Por último, permitam-me um parágrafo intimista, para a Assumida Mente.

Penso que nunca te agradeci o facto de teres criado o "Assumidamente". Fizeste-o sem me perguntar a opinião, como, aliás, tanta e tanta coisa que fazes - e ainda bem. Falei-te dos blogs que lia, passaste a lê-los. Criaste este blog, deste-lhe nome, deste-lhe cor, vida... depois convidaste-me para o ver e fiquei fascinada: mais uma vez, como em tantas outras ocasiões, a tua força de vontade surpreendeu-me.

Criaste os nossos nicknames, Assumida Mente e Mente Assumida, onde mais uma vez as coincidências vão para além do que posso escrever aqui, realçando o facto de sermos duas faces da mesma moeda - duas faces com visões opostas em geral, mas por (poucas) vezes consonantes, porém, tolerantes, para aceitarmos ambas o que a outra pensa. Aqui há dias escrevi uma lista das nossas incompatibilidades, lembras-te? Desisti, porque já ia na terceira folha. Vão desde o partido político ao clube de futebol, aos programas de televisão, às bebidas, à comida, gostos na decoração da casa, nos livros que lemos, nas coisas que dizemos - tu demonstraste-me que a diferença é enriquecedora e pode ser sinónimo de aproximação, em vez de afastamento. Fizeste-me mais tolerante e eu amo-te (também) por isso - contigo ao meu lado sou afortunada.

Poucos dias depois partiste para férias e entregaste-me nos braços o teu/nosso bébé recém-nascido e disseste: «Alimenta-o.» Recordo-me de ter dito mal da minha vida, que não tinha jeito nenhum para escrever, que nunca seria capaz de escrever num blog sobre mim, sobre as minhas coisas, sobre as minhas ideias, enterrei definitivamente um voo sem páraquedas... Porém, demonstraste-me que estava errada e incentivaste-me a participar. O empenho foi tal que em Novembro de 2003, quando perdemos o nosso primeiro sistema de comentários, andei amargurada e cheguei a chorar - a ponte perdera alguns tijolos, será que iria cair? Não caiu e, pelo contrário, ficou mais forte.

As histórias relacionadas com o blog foram sucedendo-se, ao sabor das batalhas que travamos entre nós e com alguns dos nosso leitores... Quantas horas passámos a discutir temas lançados neste ecran! Já lhes perdi a conta!

Volvido um ano sobre o início desta viagem, quero, preciso dizer-te que esta janela que abriste para o mundo foi das melhores experiências que tive o privilégio de partilhar contigo. Os objectivos estão largamente alcançados, meu amor. Afinal, havia «alguém desse lado deste écrãn sem vida, paradoxalmente janela do maior de todos os mundos». Tod@s se sentiram «benvind@s a este blog sem objectivos, sem regras, sem condições! Livre como só um blog pode ser!» E tod@s ouvimos os teus/nossos «mais profundos gritos no silêncio em que assumidamente o mundo ainda nos obriga a gritar.» Muit@s, muit@s, cada vez mais, aceitaram o teu «convite para gritar connosco. Muit@s se assumiram na penumbra de um blog... como o nosso!» Por tudo isso, mas acima de tudo pela tua ousadia, pela tua bravura, este aniversário é teu, só teu em muitos aspectos. Este aniversário é sinónimo de uma consquista individual, na qual tive o privilégio de embarcar. Mas o que é este privilégio ao pé daquele outro, de acordar ao teu lado todos os dias e amar-te com cada poro da minha pele?

Obrigada, meu amor, e parabéns.

Nota - Estas duas queridas que estão aqui a segurar o bolo de aniversário do Assumidamente são a Sara e a Rita Cacao, em versão cacaotoon. Um beijo especial à Sara que a meu pedido o desenhou para comemorar este dia. Obrigracias pelo presente!


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