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sábado, 12 de junho de 2004

A hora em que Portugal parou 

Por ironias da vida, nos primeiros momentos dos 90 minutos mais aguardados pelos portugueses, há pelo menos um ano, estava em viagem pelo País. Em noventa quilómetros cruzei-me com pouco mais de meia dúzia de carros. Portugal estava parado! Agarrado às emoções proporcionadas por uma bola polémica, à espera de gritar de alegria. Nas janelas o vermelho e verde lançava no vento a esperança de um país.
E era mais do que futebol que se sentia naquelas janelas e naquele silêncio! Era a união de um povo, o abraço dado em uníssono em torno de um só sentir, de um só desejo. Como se, de repente, Portugal inteiro fosse uma grande família, onde todos, mas mesmo todos: pretos e brancos, mulheres e homens, hetero e homossexuais, pobres e ricos, partilhassem, sem qualquer distinção, o orgulho de se ser português!

... Mal entrei na cidade, abri o vidro do carro. Na TSF o Perestrelo relatava como só ele sabe fazer, e eu ansiava por ouvir aquele grito que explode das casas, invadindo as ruas, os cafés e as veias!!!

O golo veio, mas do outro lado. E as ruas ficaram ainda mais frias. Nas janelas o vermelho invadia cada vez mais o verde, e o vento tornava-se desagradável...

O jogo lá passou. Noventa minutos de azar, de um ser que está quase a ser, que tem tudo para ser mas não é... de uma luta constante, sofrida, suada.

Foi uma derrota diferente daquelas a que assistimos no Mundial, por exemplo. No Mundial, os jogadores estavam distraídos, em jogos individualistas, esquecendo-se que eram um grupo e que deveriam jogar como equipa.

Hoje não. Hojes os Quinas jogaram com garra. Nos seus pés sentia-se-lhes o peso que sobre os ombros lhes impendia de ter que responder a um país inteiro que, apoiando-os como poucas selecções são apoiadas, lhes exige necessária e legitimamente resultados. É verdade que estavam nervosos, é verdade que falharam, mas é verdade também que lutaram até ao último minuto.

E é por isso que, apesar desta derrota inicial, as bandeiras não devem sair nem das janelas, nem dos blogs! É que tenho cá para comigo que estes miúdos no próximo jogo, vão realmente mostrar aquilo que valem!... Têm que mostrar! Pelo menos por respeito a um país que pára para apoiá-los e para levantar, pelos seus pés, o esplendor de um país à beira de uma crise de nervos!

Por isso, no próximo jogo, dêmos o benefício da dúvida! Que o país páre de novo! Que as ruas fiquem vazias, mas que desta vez, alguém esquecido dentro de um carro, sinta a terra tremer com uma explosão de alegria! We will be waiting!

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